O deputado estadual Alan Sanches (União Brasil) apontou a segurança pública, a saúde e a educação como prioridades para um eventual novo governo na Bahia
Por Mateus Soares
Em entrevista à Tribuna, o deputado estadual Alan Sanches (União Brasil) apontou a segurança pública, a saúde e a educação como prioridades para um eventual novo governo na Bahia, caso o governador Jerônimo Rodrigues (PT) não seja reeleito em 2026. Segundo ele, a sensação de insegurança tem crescido, e é necessário reformular a política de segurança para aumentar a efetividade das ações policiais.
Na área da saúde, Alan Sanches pontuou a fila da regulação e criticou a estratégia do governo estadual, que, segundo ele, substitui hospitais em vez de ampliar o número de leitos. Ele defendeu uma reestruturação da rede de atendimento para reduzir o tempo de espera por exames e cirurgias. Sobre a educação, o parlamentar reconheceu os investimentos em infraestrutura, mas afirmou que é preciso investir também na qualificação dos professores e no material didático. Ele argumentou que o governo tem falhado em planejamento, resultando em escolas superdimensionadas em algumas localidades e falta de melhorias na qualidade do ensino.
Na ocasião, o deputado comentou a movimentação política do governador Jerônimo Rodrigues, que tem buscado apoio de prefeitos da oposição. Para ele, essa estratégia reflete a baixa popularidade do governo, que, segundo pesquisas mencionadas por ele, teria perdido apoio desde a eleição, em 2022. Alan também avaliou que a situação econômica do país pode impactar negativamente tanto o governador quanto o presidente Lula (PT).
Confira a entrevista na íntegra:
Tribuna – Caso o governador Jerônimo Rodrigues não se reeleja no ano que vem, quais seriam as prioridades que o novo governo deveria tomar?
Alan Sanches – Eu colocaria três pontos principais. O primeiro é a segurança pública. Não há sensação de segurança quando anda na rua à noite ou nos pontos turísticos. A primeira coisa que a gente teria que reformular é a segurança pública. Quem rouba, o marginal, tem que temer a justiça, tem que ter temor da polícia, porque ele sabe que vai ter que responder. Hoje, o que percebo, é que o marginal não tem receio de roubar. Ele não tem receio de matar. Porque ele acredita em impunidade. A segunda coisa que eu digo e chamo muita atenção durante todo o meu mandato é com relação à saúde. A fila da regulação, que eles agora tentam esconder, que eles tentam de alguma forma abafar, inclusive, tentando abafar até a imprensa, só faz piorar. Hoje, nas 11 unidades que nós temos de emergência, eu vou dar o exemplo de Salvador, nós amanhecemos todos os dias com mais de 350 pessoas pedindo e aguardando a regulação, seja de um exame de alta complexidade, seja de uma cirurgia, seja de atendimento adequado. As UPAs hoje foram concebidas para fazer no máximo um atendimento por 24 horas de cada paciente, e hoje elas estão se tornando hospitais. Existem pacientes que estão lá por mais de 60 dias aguardando uma transferência, e o governo acredita que só a construção de hospitais consegue resolver isso. O governo está pensando errado.
Tribuna – É preciso construir mais hospitais?
Alan Sanches – Eu sempre digo: nós temos que construir mais hospitais, sim, mas nós não temos que inativar os existentes. Nós podemos reforçar e reformular de alguma forma os nossos antigos que funcionam, e não entrar em inatividade. Ele constrói grandes hospitais, como o Hospital Ortopédico da Bahia, muito bom, já visitei, excelente condição de infraestrutura, mas a quantidade de pacientes é muito aquém da necessidade. A gente tinha um hospital referência também, o Hospital Manoel Vitorino, que rodava em torno de 350 cirurgias ortopédicas por mês, e o governo inativou a ortopedia. Esses pacientes que estavam inscritos na regulação para esse hospital tiveram que novamente fazer as suas inscrições no outro hospital. Essas 350 cirurgias foram absorvidas, digamos assim, pelo Hospital Ortopédico da Bahia. Então ele não criou leitos. Ele substituiu. E o que nós precisamos para acabar com a regulação é a construção de leitos, e ele não fez isso.
Tribuna – Qual o terceiro ponto?
Alan Sanches – O terceiro ponto é com relação à educação. As escolas que estão sendo feitas são maravilhosas, não só aqui em Salvador como na Bahia toda, são muito boas, mas o que acontece, algumas vezes em algumas localidades eles estão superdimensionando o tamanho para determinado município que às vezes vai ter dificuldade para preencher todas as vagas, porque também não precisamos só investir em infraestrutura, na parte física da educação, mas a gente tem que investir no ser humano, no professor, qualificar nossos professores, e dar uma infraestrutura também de material didático para nossos alunos, seja na área digital, como também no material físico. A gente tem que ter bibliotecas adequadas. E isso não é uma preocupação de Jerônimo, ele tem mostrado que não tem uma condição de criatividade, de planejamento, para colocar a Bahia onde ela precisa estar, onde devia e onde ela pode estar. Nós estamos com os piores índices, as cidades mais violentas das 20, 10 são aqui. Isso não pode acontecer. A gente não pode aceitar isso como uma normalidade. A gente não pode aceitar que durante o dia você encontre um corpo morto dentro de uma caixa de isopor no Porto da Barra.
Tribuna – De olho neste cenário, Jerônimo tem conversado e atraído muitos prefeitos da oposição. O senhor acha que essa estratégia que ele está tentando esboçar pode prejudicar os planos de ACM Neto no ano que vem?
Alan Sanches – A primeira coisa que a gente pode observar, é que ao invés de ele estar fazendo gestão, ele já está preocupado com a política. Porque, em um momento como esse, com 20 meses antes, ou seja, dois anos antes de uma eleição, ele já está preocupado com a política porque ele está muito ruim. Ele está muito mal avaliado. A avaliação dele está casada com a de Lula, só que ele está pior. A reprovação de um governador, que já está indo para a reeleição, pela primeira vez na Bahia, está pior. O que quero dizer é o seguinte: quando ele foi eleito em 2022, ele foi eleito com 53% e ACM Neto teve 47%. Dois anos depois, quando se faz qualquer tipo de avaliação, ele caiu, ele derreteu, de 53% ele foi para 30%. Apenas 30% das pessoas hoje na Bahia, de cada 10, apenas três escolhem o governador, e olhe que ele está atraindo prefeitos, e olhe que ele está desesperado fazendo promessas mirabolantes que ele não cumpre, como acabar com a fila da regulação, a construção da ponte Salvador-Itaparica, e ele não consegue sequer colocar uma estaca no fundo do mar da Baía de Todos os Santos. Então tudo isso está sendo reflexo nas avaliações. Pela primeira vez ele atinge uma reprovação maior que a aprovação.
Tribuna – ACM Neto tem se posicionado muito nas redes sociais, principalmente em relação à segurança…
Alan Sanches – E aí o que acontece, ACM Neto, que hoje não dá uma bala ou um chiclete a ninguém, que não tem mandato, apenas fica pontuando e fazendo o papel da oposição, o papel que a população escolheu, ele tem feito. O Jerônimo, mesmo atraindo esses prefeitos, a população continua dizendo ‘não’, continua dizendo que não está gostando do governo Jerônimo. E aí o que faz a gente repensar? Que neste momento quem é prefeito tem que ter relação, tanto com o governo federal, independentemente da coloração partidária, quando o governo estadual. E se o governo estadual quer, neste momento, trazer ou levar no caso algum benefício para um determinado município o prefeito é o gestor, é claro que ele vai querer, porque essa é a obrigação do governador. O governador tem que olhar para todos os municípios, ele não é governador dos partidos aliados, ele é governador de todos os municípios da Bahia. Então é o momento que tem muita água para passar por baixo dessa ponte porque nós sabemos que o prefeito quer o benefício, mas vamos aguardar até o ano que vem, quando as pesquisas melhorarem mais ainda para a oposição, piorando a aprovação do Jerônimo, aí você faz essa pergunta de novo, que eu vou poder responder realmente se os prefeitos ficaram com ele.
Tribuna – E qual a influência dos prefeitos?
Alan Sanches – E outra coisa: quando você vai para uma candidatura dessa de governador e presidente, nós sabemos que o prefeito não manda na vontade da população. A população começa a observar que nós poderíamos estar em outro patamar. A normalidade na vida das pessoas poderia ser outra. E depois de 20 anos a gente não consegue evoluir em todos esses setores que a gente conversou. Então a população depois de 20 anos começa a cansar desse projeto, que mostrou que já fadigou, esgotou, e, sendo assim, começa politicamente a se observar que nós temos outro projeto. Falando nisso, o que é que vai acontecer, toda a Bahia sempre disse que quem puxava o governo era o presidente, dessa vez, o presidente Lula está de mal a pior, a economia mais uma vez caindo pelas tabelas, derretendo, comprometendo o salário das pessoas, o dólar nas alturas, as pessoas que tinham a esperança de ter uma vida melhor, de comer um pedaço de carne de primeira, hoje, a gente tem dificuldade para que todo mundo coma ovo. Então tudo isso as pessoas começam a observar. E a gente sabe que o que leva uma vitória do governo federal é a economia, e a economia tem sido infelizmente pior a cada dia, então isso é um outro fator que vai puxar o Jerônimo para baixo. Ele será derrotado.
Tribuna – O senhor falou recentemente sobre a questão da taxa de juros, que subiu mais uma vez. Como enxerga essa questão para a economia do Brasil como um todo?
Alan Sanches – Não tem cabimento. Hoje, a pessoa já pensa três, quatro ou cinco vezes em financiar, seja uma geladeira, seja um fogão, seja um carro, seja um apartamento, você vê que os grandes bancos já deram uma recuada nos empréstimos, porque estão com receio que a população não consiga honrar seus compromissos, honrar os financiamentos dos apartamentos, isso prejudica a todo um ciclo econômica, uma cadeira econômica, que as pessoas vão faltando dinheiro, e isso reflete em todos os setores, seja de comércio, mas seja também de serviços. Então a vida das pessoas começa a ser afetada e as pessoas começam a perceber que esse governo não está sendo positivo para a minha vida. Então acredito realmente que a economia, que é a bola mestra de qualquer eleição presidencial, infelizmente para a população, que está sendo prejudicada, vai levar a derrota do governo Lula.
Tribuna – Tem uma coisa também que está mobilizando a classe política e gerando debate é a questão das invasões de terra na Bahia. Como o senhor avalia a condução dos governos federal e estadual em relação a esse problema?
Alan Sanches – Eu vou ser direto: o MST acaba sendo um agrupamento político, não é um movimento social, é um movimento político, que é capitaneado pelo Partido dos Trabalhadores. Eles utilizam a turma do MST como massa de manobra, e agora estão sendo massa de manobra também de milícias que estão se aproveitando do MST e de muitos indígenas para de alguma forma lucrar com isso. Mas por que tudo isso está acontecendo essas invasões de terra? Porque ninguém mais tem medo diante da impunidade. Porque eles sabem que serão protegidos pelo governo do Partido dos Trabalhadores. O governo do Estado e o governo federal irão proteger, porque é um agrupamento político deles. Isso é muito ruim quando traz essa insegurança jurídica para quem lutou e trabalhou a vida toda para ter a sua propriedade privada, trabalhando, produzindo, e aí essas pessoas chegam para fazer política, para se aproveitar, destruindo a propriedade particular das pessoas.
Tribuna – O senhor acha que a ponte Salvador-Itaparica vai começar a sair do papel no governo Jerônimo?
Alan Sanches – As chances de isso acontecer são as mesmas de eu conseguir encontrar um Saci Pererê aqui perto de casa. Porque o que eles têm desde o governo de Jaques Wagner, depois do governo de Rui Costa, foi aproveitando factoides, o que eles fizeram muito bem foi gastar milhões, me lembro bem quando pagaram mais de R$ 50 milhões para uma consultoria. E onde está esse dinheiro? Onde está essa consultoria? Só se foi para dizer que a água da Baía de Todos os Santos era salgada ou doce. Porque até hoje só se gastou muito dinheiro e nada trouxe em benefício da nossa Bahia, infelizmente nem da ponte.
Tribuna – Apesar do favoritismo de ACM Neto nas pesquisas, também se comentou há alguns meses a possibilidade de ACM Neto não disputar e vir outro candidato. O senhor acha que essa possiblidade existe?
Alan Sanches – Chances zero. Já batemos o martelo, ACM Neto é o nosso candidato. Bruno Reis teve uma excelente votação, é um grande articulador, e estará sendo o nosso articulador e vai ser, digamos assim, responsável pela campanha de ACM Neto à vitória. Dessa vez nós teremos um grande candidato também à presidência, pela direita e centro-direita, que possivelmente será Tarcísio de Freitas. Tarcísio de Freitas, sendo o nosso presidente, não tenha dúvidas que ACM Neto é governador da Bahia.
Tribuna – Tem também um outro membro do União Brasil, que é o governador Ronaldo Caiado, que está pleiteando a candidatura à presidência…
Alan Sanches – É um grande governador, talvez seja o governador mais bem avaliado de todo o Brasil, mas o que acontece, houve, no caso, uma retração do lançamento da candidatura de Caiado, poque com a federação muito acelerada entre o União Brasil, com 59 deputados, e o PP, com 50 deputados, a gente vai ter uma representatividade com 109 deputados, isso a gente tem que repensar melhor. Então o União Brasil, que tinha o Ronaldo Caiado como candidato, hoje, fazendo a federação, tem que ser rediscutido isso. Agora, Caiado é um grande nome e tem demonstrado uma grande capacidade. Acredito que teremos que discutir bastante isso, mas digo mais uma vez, se for esse desenho que está aí, de Tarcísio candidato a presidente, a gente pode ter a certeza de que Neto será governador.
Tribuna – O senhor oficializou a sua candidatura a deputado federal. Quais as suas perspectivas e o pretende levar de ideias para o Congresso Nacional caso seja eleito?
Alan Sanches – Eu sou médico. Eu acho que a gente precisa fortalecer muito a saúde ainda. E uma outra coisa, uma grande parcela da população utiliza o convênio ou tem um plano de saúde. Eu acho que isso tem que ser muito bem debatido, ninguém aguenta mais esses aumentos absurdos que vem acontecendo ano após ano, ou quando a pessoa atinge mais um ano de vida, ao invés de diminuir, porque quando você vai envelhecendo, você vai diminuindo a sua capacidade produtiva, vai se aposentar ou diminuir a capacidade produtiva mesmo, e é nesse momento que sobe mais ainda o seu plano de saúde. Isso tem que ser repensado. Não é possível que o Congresso Nacional permita que a gente continue sofrendo com esses aumentos absurdos e abusivos, essa é uma opinião minha, não é partidária, acho que a gente precisa rever e tomar um posicionamento sobre isso.
Tribuna/Foto: Divulgação/Ascom


