Alvo de protestos, o prefeito Bruno Reis falou sobre as ações da prefeitura no enfrentamento a pandemia.
Por Rodrigo Daniel Silva
Alvo de protestos em sua residência nos últimos dias por adotar medidas restritivas em Salvador, o prefeito Bruno Reis (DEM) disse ontem que as manifestações têm que ocorrer na porta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e dos ministros para que garantam apoios federais aos necessitados na pandemia da Covid-19.
“Aproveito que as pessoas estão fazendo carreata, se manifestando, todas elas (manifestações) são justas e legitimadas, (mas) vão fazer na porta do presidente, na porta dos ministros. Vão cobrar apoio do governo federal, a volta do auxílio emergencial”, disse. “A luta é para que os apoios federais possam voltar. O governo federal precisa editar uma medida provisória para garantir o salário dos trabalhadores, para permitir a redução de jornada. O governo federal tem muito mais condições que prefeituras e governo de estado, porque pode emitir moedas, pode estourar teto de gastos, pode se endividar. E nós não. Pelo contrário, estamos no nível de gasto acima da nossa realidade”, acrescentou, em entrevista à TV Bahia.
O prefeito afirmou ainda que R$ 752 milhões já foram investidos no combate à pandemia. “Tenho dito isso com frequência. Salvador não consegue manter por seis meses o nível de investimento que têm hoje, mesmo com o superávit que recebi do prefeito ACM Neto. Esse superávit vem sendo consumido mês a mês. Só no enfrentamento à pandemia, Salvador já investiu R$ 752 milhões. É muito dinheiro. Não temos dinheiro suficiente para isso, para manter o transporte público, (custa) R$ 14 milhões, para manter os leitos de UTI, R$ 26 milhões, para manter os programas sociais, R$ 20 milhões”, declarou.
Bruno Reis disse também que as atividades não essenciais podem retornar se a ocupação dos leitos de UTIs ficar em 80%, por cinco dias. Segundo ele, quando houver o retorno, será escalonado para evitar que os ônibus fiquem lotados. Exemplo: as clínicas médicas podem funcionar só pela manhã. “(Teremos então) uma oferta maior (de linhas de ônibus) do que a demanda. Vamos evitar que em determinados picos ônibus lotados. Isso vai ajudar no enfrentamento a pandemia”, pontuou.
O democrata elogiou a parceria com os prefeitos da Região Metropolitana. “É importante esse trabalho em conjunto com os demais prefeitos. Não adianta fechar aqui e as cidades vizinhas estarem funcionando, porque as pessoas saem daqui e vão para lá e quando voltam trás o vírus. Ou sai daqui, vai para lá e leva o vírus. Esse trabalho conjunto é importante por causa disso”, salientou.
Tribuna/Foto: Betto Jr. / Secom


