Queda em novos casos e na internação não é licença para relaxar nas medidas de proteção, principalmente com o registro de novas variantes em circulação no Estado
Por Lily Menezes
Em comparação com os meses de fevereiro e março, considerados os piores em relação à ‘segunda onda’ da pandemia de coronavírus, a Bahia se encontra numa situação menos pressionada. Neste final de semana, a ocupação das UTIs adultas para o tratamento da doença se manteve em 30% e não houve registros de pacientes esperando por um leito na Central de Regulação, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Entretanto, os óbitos registrados diariamente começaram a entrar em um ritmo de estabilidade que, se não for controlado, pode voltar ao crescimento: tanto no sábado (04) quanto no domingo (05) foram registrados 30 óbitos, de acordo com o acompanhamento diário feito pela Superintendência de Vigilância e Proteção à Saúde (SUVISA). Nas últimas semanas, a quantidade de falecimentos em decorrência da Covid-19 vinha diminuindo na Bahia.
A Sesab justificou que, embora a confirmação aconteça nestes dias, os registros de vidas perdidas aconteceram em datas diferentes. “Os óbitos não falam em tempo real, tem sido uma retrospectiva”, disse Tereza Paim, secretária em exercício da pasta estadual. Porém, a vigilância em relação aos índices epidemiológicos continua, e não serão descartadas novas medidas para manter a redução no número de novos infectados e mortes. A chefe da Sesab pede cautela à população, incluindo aos cidadãos que já receberam as duas doses da vacina contra a Covid-19. “É preciso entender que mesmo com a imunização, o vírus ainda está aí. A pessoa ainda pode transmitir”, alertou Paim, que permanece defendendo as práticas de prevenção, como o uso correto da máscara e higienização das mãos. Até ontem, a Bahia tinha vacinado 80% de sua população com a primeira dose, enquanto 40% do Estado completou o ciclo de imunização.
A preocupação com a volta de um novo incremento de casos e óbitos é partilhada pelos profissionais de saúde; como muitos baianos e baianas ainda não receberam a segunda dose nos braços, eles permanecem expostos à circulação do vírus, sobretudo com a aparição da variante Delta no Estado; por isso, a Sesab continua com as ações de rastreamento e testagem para impedir que a transmissão comunitária se inicie, ao mesmo tempo em que faz esforços para que mais pessoas completem a proteção. “Ela passa principalmente para as pessoas não vacinadas. As pessoas vacinadas tem sim, uma proteção contra a variante, mas é preciso terminar o esquema de vacinação delas”, orientou Antônio Bandeira, infectologista e coordenador do Setor de Infectologia do Hospital Aeroporto, lembrando daqueles que ficaram por último na fila da vacina e não possuem nenhum tipo de proteção. “Ela pode fazer casos mais graves em adolescentes e crianças mais novas, principalmente naquelas de quinze anos para menos. É por isso que ela é tão preocupante, e a gente não pode deixar que ela assuma a liderança das transmissões”, alertou o especialista.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


