Entre os principais temas debatidos durante o lançamento estiveram o avanço da inteligência artificial no jornalismo e na produção de conteúdo, o combate às fake news e a necessidade de aperfeiçoar a regulamentação das plataformas digitais
Por Hieros Vasconcelos
A comunicação baiana ganhou um novo espaço de articulação institucional nesta terça-feira (30), com o lançamento da MídiaCom Bahia, em Salvador. Reunindo inicialmente mais de 30 emissoras de rádio e televisão da capital e do interior, a entidade nasce com a proposta de fortalecer o setor, ampliar o diálogo entre os veículos de comunicação e defender princípios como liberdade de imprensa, credibilidade e inovação. Em um ano marcado pelas eleições, porém, um compromisso ganhou protagonismo: o enfrentamento à desinformação e às fake news, por meio de um pacto firmado entre as empresas associadas em defesa da informação responsável, da isenção editorial e do respeito aos princípios constitucionais.
A associação sucede o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado da Bahia (Serteb-BA) e já projeta ampliar sua representatividade nos próximos meses, incorporando também jornais impressos, veículos digitais e outros segmentos da comunicação. A proposta é criar uma entidade mais abrangente, capaz de representar o setor diante dos desafios tecnológicos, regulatórios e econômicos que transformam diariamente o mercado da informação.
Entre os principais temas debatidos durante o lançamento estiveram o avanço da inteligência artificial no jornalismo e na produção de conteúdo, o combate às fake news e a necessidade de aperfeiçoar a regulamentação das plataformas digitais. O entendimento predominante entre dirigentes e autoridades foi de que a inteligência artificial deve ser encarada como uma aliada da comunicação, capaz de qualificar processos e ampliar a eficiência das redações, sem substituir o papel do jornalismo profissional. Já em relação às redes sociais, a avaliação é de que uma regulamentação construída por meio de amplo debate poderá contribuir para reduzir a disseminação da desinformação, preservar a democracia e estabelecer maior responsabilidade das plataformas na circulação de conteúdos.
Presidente da MídiaCom Bahia, Augusto Correia afirmou que a entidade nasce com o propósito de unir as empresas em torno de pautas comuns e fortalecer um segmento que, além de gerar emprego e renda, exerce papel essencial para a democracia. “Queremos fortalecer uma atividade que gera emprego, renda e movimenta a economia da Bahia. Também vamos atuar no enfrentamento às fake news e desenvolver iniciativas conjuntas para valorizar a informação de qualidade”, afirmou.
Segundo ele, o compromisso firmado entre as empresas associadas representa um posicionamento institucional em favor do jornalismo profissional, especialmente em um período eleitoral, quando cresce a circulação de conteúdos falsos e de campanhas de desinformação nas plataformas digitais. A intenção é estimular práticas que reforcem a checagem dos fatos, a responsabilidade editorial e o compromisso permanente com a verdade.
Diretor-geral da Abratel, Samir Nobre afirmou que o fortalecimento das emissoras de rádio e televisão passa diretamente pela defesa da democracia e pelo enfrentamento à desinformação, especialmente em um cenário marcado pelo crescimento das plataformas digitais e pelo avanço da inteligência artificial. Segundo ele, a criação da
MídiaCom Bahia representa mais um passo na articulação do setor em defesa do jornalismo profissional e da informação de qualidade.
“A rádio e a televisão são fundamentais para a democracia brasileira. São elas que levam informação, entretenimento, cultura e esporte de forma gratuita para toda a população. Ter um setor forte é essencial para combater esse vírus que é a desinformação. Hoje, rádio e televisão também estão nas plataformas digitais justamente para ocupar esse espaço com conteúdo produzido por jornalistas, checado e comprometido com a verdade”, afirmou.
IA – Sobre o avanço da inteligência artificial nas redações, Samir Nobre defendeu que a tecnologia seja encarada como uma aliada da comunicação, e não como uma ameaça aos profissionais. Para ele, a IA deve contribuir para qualificar a produção jornalística e impulsionar uma nova transformação no setor, assim como ocorreu em outros momentos da evolução tecnológica. “A inteligência artificial não deve ser vista como inimiga. Ela será uma aliada. Assim como a Revolução Industrial não acabou com os empregos, mas exigiu profissionais mais qualificados, a IA vai aprimorar a qualidade do nosso trabalho. Não acredito em um setor enfraquecido, mas em um rádio e uma televisão ainda mais fortes, produzindo informação de qualidade para a população”, destacou.
O diretor-geral da Abratel também avaliou que a discussão sobre a regulamentação das plataformas digitais tende a contribuir para o combate às fake news, mas ressaltou que o tema precisa ser conduzido pelo Congresso Nacional. “É um debate que cabe ao Congresso Brasileiro. Tenho convicção de que deputados e senadores terão maturidade para discutir esse assunto no momento adequado”.
O lançamento também reuniu empresários da radiodifusão, dirigentes de emissoras de rádio e televisão da capital e do interior, representantes de entidades do setor, como a presidenta da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal, o presidente da Associação Baiana das Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT Bahia), Cristiano Stolz, além de profissionais da imprensa, comunicadores e convidados.
Governo da Bahia articula atuação conjunta nas eleições para combater Fake News
O secretário de Comunicação da Bahia, Marcus Di Flora, avaliou que a criação da MídiaCom fortalece a interlocução entre o poder público e os veículos de comunicação, respeitando a independência editorial de cada empresa.
Segundo ele, a existência de uma entidade representativa facilita o diálogo, garantindo transparência e relações mais equilibradas entre o Estado e o setor da comunicação. “O nosso princípio é a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão. Essa liberdade precisa acontecer dentro de marcos legais claros para que o papel de cada segmento seja compreendido tanto pelos próprios atores quanto pela sociedade. A existência de organizações representativas facilita esse diálogo”, diz. Di Flora também afirmou que o Governo da Bahia articula uma atuação conjunta entre diferentes instituições para enfrentar a desinformação durante o período eleitoral. De acordo com ele, já existem conversas envolvendo o Tribunal de Justiça, a Assembleia
Legislativa, o Ministério Público e a Defensoria Pública para desenvolver ações voltadas ao esclarecimento da população.
O secretário acrescentou que, além da atuação dos poderes públicos, será fundamental ampliar o diálogo com os meios de comunicação e, principalmente, com as plataformas digitais, hoje apontadas como o principal ambiente de disseminação de conteúdos falsos. “Fake news é o mal do século. Destrói reputações, empresas, famílias e ataca diretamente a democracia. Precisamos unir esforços para orientar a população e fortalecer os mecanismos de proteção contra esse tipo de conteúdo”, afirmou.
Prefeito e Vice-Governador convergem: “benefícios para democracia e valorização da imprensa”
Ao reunir empresas da capital e do interior em torno de objetivos comuns, a MidiaCom Bahia garantiu, durante o lançamento, ampliar o diálogo com os poderes públicos e desenvolver ações permanentes de valorização do jornalismo profissional.
Tal intuito visa aproxima o estado e a capital baiana das discussões estaduais e nacionais sobre o futuro da comunicação: ontem, estiveram presentes o prefeito Bruno Reis e o vice-governador Geraldo Junior. Na ocasião, o prefeito destacou que o fortalecimento institucional das empresas de comunicação contribui para ampliar a autonomia do setor e preservar a credibilidade do jornalismo profissional diante das transformações provocadas pelas redes sociais. “A entidade fortalece ainda mais esse segmento. Ao atuar em conjunto, conseguimos buscar inovação, acompanhar as mudanças que vêm ocorrendo na comunicação e preservar aquilo que é mais importante: uma imprensa livre, independente e com credibilidade”, destacou.
Bruno ressaltou ainda que o jornalismo profissional possui mecanismos de verificação que diferenciam a informação produzida pelos veículos tradicionais dos conteúdos disseminados sem controle nas redes sociais. “Nos veículos de comunicação sérios existe checagem, existe responsabilidade, existe espaço para o contraditório. Isso faz toda a diferença em um momento em que a inteligência artificial e as fake news desafiam diariamente a sociedade”, diz. Para o vice-governador Geraldo Júnior, a entidade reforça princípios fundamentais como pluralidade, democratização da informação e fortalecimento institucional dos veículos baianos. “Marca a história da comunicação na Bahia, pois reúne veículos importantes, para fazer o bom jornalismo, fortalecendo a democratização da informação, a seriedade e a pluralidade da informação. Esse é o verdadeiro espírito democrático. Sao esses veículos, emissoras, que tem o compromisso de levar informação em meio a tanta desinformação”, acrescentou.
Walter Pinheiro destaca ampliação da Associação para outros segmentos da comunicação
Outro ponto destacado durante o lançamento foi a ampliação futura da entidade para outros segmentos da comunicação, como afirmou o presidente da MidiaCom Augusto Gouveia. Presente no lançamento, o presidente da Tribuna da Bahia, Walter Pinheiro avaliou que a chegada dos jornais impressos representa um passo natural na consolidação da associação.
Para ele, o fortalecimento institucional do setor depende justamente da integração entre os diferentes meios de comunicação. “O princípio de que a união faz a força está presente nesse momento. A comunicação vive profundas transformações e as instituições precisam acompanhar essa nova realidade. A MídiaCom representa esse processo de fortalecimento e de adaptação”, disse.
Pinheiro avaliou como positivo a garantia que os jornais impressos deverão integrar a associação nas próximas etapas, juntamente com veículos digitais, ampliando a representatividade da entidade. “Quem faz comunicação séria respeita o público. Não dá espaço para fake news. Precisamos aproveitar os avanços tecnológicos para beneficiar a sociedade e fortalecer o jornalismo profissional”, destacou. Regulamentação – A necessidade de aperfeiçoar as regras para atuação das plataformas digitais também esteve presente nas discussões durante o lançamento da entidade. Embora haja reconhecimento de que o ambiente digital necessita de mecanismos que ampliem a responsabilidade sobre conteúdos ilegais e desinformativos, o entendimento predominante entre os participantes foi de que qualquer regulamentação deve ocorrer por meio de amplo debate com a sociedade, especialistas, empresas de comunicação e representantes das plataformas, preservando as garantias constitucionais da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa.
Ministério das Comunicações diz que entidades regionais fortalecem políticas públicas
A defesa da informação de qualidade também foi destacada pelo representante do Ministério das Comunicações, Wilson Diniz Wellisch. Ele ressaltou que a criação de entidades regionais fortalece a formulação de políticas públicas ao aproximar o Governo Federal das demandas locais e permitir maior interlocução com o setor. “O Ministério entende que essa representação regional tem uma importância muito grande porque é a forma de ouvir as necessidades de cada estado. Muitas vezes estamos em Brasília e não conseguimos acompanhar todas as realidades locais. Essa aproximação ajuda a construir políticas públicas mais eficientes”, afirmou.
Wellisch destacou ainda que a radiodifusão continua sendo um dos principais instrumentos de democratização da informação no país. Segundo ele, a televisão aberta e o rádio permanecem presentes na rotina da maior parte da população brasileira e exercem um papel decisivo na inclusão social, no acesso à cultura e na difusão de informações de interesse público.
Questionado sobre o combate às fake news durante as eleições, o representante do Ministério das Comunicações afirmou que a responsabilidade não é exclusiva do governo federal, mas depende da atuação coordenada entre diferentes instituições. “O combate às fake news é um trabalho conjunto. Envolve os órgãos eleitorais, o Ministério das Comunicações e diversas instituições. Cada um atua dentro de suas competências para evitar abusos e preservar a qualidade da informação durante o processo eleitoral”, disse.
Tribuna / Foto: Divulgação/Reprodução


