No ranking estadual, a Bahia fica em terceiro lugar com maior quantidade do material roubado, atrás de Paraná (2º lugar) e de São Paulo, em 1º lugar
Por Hieros Vasconcelos Rêgo
Roubados e receptados ilegalmente com bastante facilidade, os cabos de telecomunicação têm sido alvos de criminosos em todo país e a cada ano aumenta o número de crimes deste tipo no país, como um todo, e em diversos estados brasileiros. No Brasil, somente em 2023, foram 5,4 milhões de metros furtados– o equivalente a 5,4 mil quilômetros, o suficiente para cobrir a rota de Fortaleza à Lisboa.
Entre os estados, a Bahia é um exemplo de onde a prática criminosa só cresce: durante o ano de 2023, 635.757 metros de cabos de telecomunicações foram roubados e furtados, quase o triplo do registrado em 2022, quando foram levados 238.656 metros do material. Os dados são da Conexis Brasil Digital.
Os prejuízos são inúmeros não só para as empresas, como para consumidores e serviços de utilidade pública, como polícia, bombeiros e emergências médicas, onde atendimentos podem ser prejudicados e vidas, por questões de segundo, perdidas.
No ranking estadual, a Bahia fica em terceiro lugar com maior quantidade do material roubado, atrás de Paraná (2º lugar) e de São Paulo, em 1º lugar.
NA comparação do segundo semestre com o primeiro semestre de 2023, na Bahia houve uma alta de 149% no volume de cabos subtraído no estado, passando de 296.130 metros de cabos no primeiro semestre de 2023 para 339.627 metros no segundo semestre do ano passado.
Embora em terceiro no número total, a Bahia fica em primeiro entre esses estados onde se registrou o maior aumento em relação 2023.
Diversos fatores estão ligados a esse tipo de ação criminosa. Mas o exponencial crescimento desses furtos e roubos em determinadas regiões se deve, conforme a Conexis Brasil Digital, à facilidade encontrada pelos bandidos e os poucos mecanismos de segurança.
Em Salvador, o furto ou roubo de cabos são uma constante. Pela cidade, é possível avistar caixas arrombadas e fios cortados, ações que acontecem geralmente à noite, cometidas também por pessoas em situação de vulnerabilidade e de fome.
“A maior parte do material roubado é cabo de cobre, que tem valor de revenda, por exemplo, em locais que trabalham com sucata. Também há ocorrência de empresas que compram equipamentos furtados. Temos defendido a punição de quem rouba e furta cabos e equipamentos, mas também de quem faz a receptação desse material”, afirma Aluísio Weber, coordenador de Infraestuda Conexis.
Especialistas afirmam que os graves os crimes poderiam ser diminuídos se, além de maior fiscalização e mecanismos de segurança, houvesse maior combate contra os receptores desse material.
È o que defende também o setor: ações integradas do poder público com privado, legislações mais rigorosas com punição para empresas que compram e a mudança da regra que penaliza as operadoras quando o serviço é interrompido em decorrência do crime.
“Ninguém rouba esse material porque tem alta rentabilidade. É mais uma questão de necessidade, de roubar pra comprar comida, pra revender, e infelizmente muitas vezes comprar droga”, diz o sociólogo especializado em Urbanismo George Araújo Godoi.
De acordo com a Conexis, os prejuízos são diretos para milhões de consumidores e empresas, que ficam sem acesso a comunicação, além de comprometer serviços de utilidade pública como polícia, bombeiros e emergências médicas.
A diretora de Relações Institucionais e Governamentais e de Comunicação da Conexis Brasil Digital, Daniela Martin, afirma que o setor vem defendendo a implementação de políticas públicas de combate aos furtos, roubos e receptação de cabos e equipamentos junto a autoridades nas três esferas – federal, estadual e municipal – e de todos os Poderes.
“Um ponto considerado essencial pelo setor é a aprovação dos Projetos de Lei nº 3780/2023, 5846/16, e 4997/2019, que tipificam e aumentam a punição para esses crimes que tanto prejudicam o cidadão”, completou Daniela Martins.
Os projetos, avalia, dão instrumentos para polícias, Ministério Público e juízes poderem punir com o rigor necessário os crimes. Ainda segundo ela, o setor pede ainda o avanço de iniciativas que tratem com mais dureza, não apenas sob a ótica penal, as empresas que fazem a receptação dos materiais subtraídos por meio de ações criminosas.
REDUÇAO – O Rio de Janeiro, que já foi o segundo estado que mais sofria com o roubo e furto de cabos, passou a ocupar, em 2023, a 10ª posição. O estado foi o primeiro com a intensificação do diálogo entre autoridades locais e o setor de telecom para ações de combate ao furto, roubo e vandalismo de cabos e equipamentos.
O estado foi o primeiro com a intensificação do diálogo entre autoridades locais e o setor de telecom para ações de combate ao furto, roubo e vandalismo de cabos e equipamentos.
“Desde o início das ações no Rio de Janeiro temos visto essa queda no volume de cabos subtraídos no estado. Em 2023, foi registrada uma nova queda no volume de cabos roubados, uma redução de 50%”, disse Daniela Martins.
Estados – São Paulo foi o estado que mais sofreu com essas ações criminosas. Durante o ano passado foram furtados ou roubados 1,450 milhão de metros. O volume aumentou 40% em relação ao ano 2022, quando haviam sido furtados 1,035 milhão de metros.
Segundo estado mais afetado por essas ações criminosas, o Paraná registrou queda no volume de cabos de telecom roubados. Em 2023 foram 955.178 metros de cabos furtados ou roubados, uma redução de 6%.
Minas Gerais, com 505.541 metros de cabos roubados, foi o quarto estado mais afetado em 2023. O número representa queda de 19,2% na comparação com os dados de 2022. O Rio Grande do Sul completa a lista dos cinco mais afetados, com 368.769 metros de cabos de telecom roubados, um aumento de 20,4% relação ao ano anterior.
Tribuna/Foto: Bruno Concha/Secom


