O impacto da pneumonia é ainda mais significativo em faixas etárias extremas
Por Marcos Vitório
A pneumonia segue como uma das principais causas de morte por doenças respiratórias na Bahia. Dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) apontam que 4.303 pessoas morreram em decorrência da doença em 2024. Somente em 2025, já foram registrados 3.628 óbito mo estado.
A doença é caracterizada por uma inflamação nos pulmões, geralmente provocada por infecções bacterianas, virais ou fúngicas, e costuma surgir após gripes ou resfriados mal tratados. Os sintomas mais comuns incluem tosse com catarro, febre alta, falta de ar e dor no peito, podendo evoluir rapidamente para quadros graves.
Ainda de acordo com a Sesab, os óbitos atingem homens e mulheres de forma semelhante. Em 2024, 50,3% das mortes foram de homens (2.168) e 49,6% de mulheres (2.135). Em relação às internações, o padrão se repete: mais de 61 mil hospitalizações por pneumonia foram registradas entre 2024 e 2025, com leve predominância do sexo masculino.
O impacto da pneumonia é ainda mais significativo em faixas etárias extremas. Crianças pequenas e idosos concentram os maiores riscos, principalmente quando há doenças
associadas ou baixa imunidade. Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce é determinante para evitar complicações e mortes.
Esse alerta é vivido de perto por Dionísia Paiva, uma moradora da Bahia que enfrenta a doença de forma recorrente. Ela conta que o primeiro sinal de que algo não estava bem foi persistente. “Eu tava com uma tosse por muito tempo e sentindo uma falta de ar que nunca tinha sentido”, relata. O diagnóstico só veio após a realização de um exame de imagem. “Quando fiz o raio X, descobriu”, completa.
Desde então, a rotina precisou mudar. Segundo a paciente, o cuidado com o ambiente passou a ser constante. Ela explica que precisou reduzir ao máximo o contato com poeira dentro de casa, descartando objetos que acumulavam ácaros. Entre as mudanças, estão a retirada de cabeceiras estofadas, ursos de pelúcia do filho e a troca frequente de travesseiros e roupas de cama. Hoje, afirma que evita qualquer atividade que possa agravar a condição pulmonar e, quando necessário, prefere delegar tarefas mais pesadas.
O tratamento incluiu acompanhamento especializado. A paciente foi encaminhada a um pneumologista, realizou exames mais detalhados e passou por diferentes medicações. Segundo ela, uma médica clínica chegou a recomendar o reforço da imunização como estratégia para prevenir novos episódios. “Estou em acompanhamento e devo retornar novamente”, afirma.
A recorrência da doença também preocupa. A paciente relata que teve uma pneumonia há dois anos e outras duas no ano passado. Em 2025, ao apresentar sintomas gripais, o medo do retorno foi imediato. Embora os exames tenham descartado uma nova infecção, a orientação médica foi clara: fortalecer a saúde pulmonar para reduzir riscos futuros.
Para infectologistas, casos como esse reforçam a importância da atenção aos primeiros sintomas. Tosse persistente, febre e falta de ar não devem ser ignorados, especialmente em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. O tratamento adequado, aliado à vacinação e ao acompanhamento médico, é essencial para conter o avanço da pneumonia e reduzir o número de mortes no estado.
Tribuna/Foto: Divulgação/Reprodução


