“De uma forma sempre muito prepotente, alguns momentos meio agressivo, e não tendo muito respeito ao cansaço e todo o processo que a Shantal estava passando desde o momento que ela chegou na maternidade. Foi exaustivo”, conta.
Quando soube da história de Shantal, a jornalista britânica Samantha Pearson resolveu falar.
“Eu senti um alívio naquele momento, porque não foi só eu”, diz Samantha.
Na quinta-feira (16), Samantha prestou depoimento ao Ministério Público de São Paulo e contou que também foi vítima de assédio moral por parte do obstetra em 2020.
“Meu marido estava aqui de lado, tinha pelo menos uma enfermeira e ele disse para mim: ‘Você tem que emagrecer, né? Olha o seu marido, o seu marido bonitão’”, conta Samantha.
Fernanda Sophia fotografa partos e acompanhou de perto o trabalho do médico algumas vezes.
“Com certeza foram os partos mais violentos, agressivos que eu já acompanhei assim. Ele é extremamente arrogante, trata muito mal funcionários. Foi extremamente agressivo com a gestante”, afirma Fernanda Sophia.
Perguntada como se sentia quando terminavam esses partos, Fernanda responde: “Eu me sentia como se tivesse compactuando de alguma com aquilo, porque a minha vontade era gritar e falar: ‘Gente, não. Pelo amor de Deus’”.
O que Shantal, Samantha e outras mulheres viveram tem nome: violência obstétrica. No Brasil, quase metade das gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde sofrem maus-tratos. A maioria delas: negras, pobres, jovens e grávidas do primeiro filho.
“(Violência obstétrica) É todo tipo de ação ou omissão que cause constrangimento, lesão física, emocional ou até moral para aquela paciente que está em trabalho de parto. Embora não esteja adstrito só ao momento do parto. A gente tem relatos no pré-natal, do parto propriamente dito, do pós-parto”, explica Maíra Recchia, advogada especialista em defesa de mulheres.