A meningite é caracterizada pela inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal
Por Marcos Vitório
A meningite continua sendo uma doença presente de forma constante na Bahia, com inúmeros registros ao longo de todo o ano. Dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) mostram que, entre 2020 e 2026, foram confirmados 2.259 casos da doença em território baiano. A enfermidade é considerada endêmica no Brasil, o que significa que sua ocorrência é esperada de maneira contínua, ainda que com variações ao longo do tempo.
A meningite é caracterizada pela inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas, sendo as formas infecciosas as mais frequentes.
Segundo a Sesab, os anos com maior número de casos confirmados foram 2024, com 480 registros, seguido de 2023, com 471, e 2022, com 462 casos. Em 2025 houve redução de cerca de 10% em relação ao ano anterior.
A análise do perfil das vítimas aponta que a doença atinge diferentes faixas etárias, mas com maior concentração entre adultos. Os grupos de 30 a 39 anos registraram 297 casos no período analisado, enquanto pessoas de 40 a 49 anos somaram 288 ocorrências. Crianças menores de um ano também aparecem entre os grupos mais afetados, com 272 casos.
Entre os diferentes tipos da doença, a meningite bacteriana merece maior atenção pela gravidade. Dos casos confirmados na Bahia, 888 foram classificados como meningite bacteriana, o equivalente a cerca de 40% do total.
De acordo com o infectologista Victor Castro Lima, as meningites infecciosas se dividem principalmente em virais e bacterianas. “As meningites virais costumam ter evolução mais branda e são autolimitadas na maioria das vezes, embora também exijam acompanhamento médico. Já as meningites bacterianas têm maior potencial de gravidade e podem evoluir para quadros graves se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente”, explica.
Os principais agentes associados à forma bacteriana da doença são o pneumococo e o meningococo, bactérias capazes de provocar infecções severas que exigem internação hospitalar e tratamento com antibióticos intravenosos.
No período analisado pela Sesab, 185 casos de meningite bacteriana evoluíram para óbito na Bahia, o que representa uma taxa de letalidade de aproximadamente 21%. Apesar disso, até o momento, não houve registro de mortes pela doença no estado em 2026.
Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça intensa e sinais de irritação meníngea, como rigidez na nuca, além de náuseas e vômitos. A presença combinada desses sinais deve servir de alerta para a busca por atendimento médico.
A transmissão das meningites bacterianas ocorre principalmente por via respiratória, através do contato com secreções de pessoas infectadas. Por isso, pacientes diagnosticados costumam ser mantidos em isolamento respiratório para evitar a disseminação da doença.
Certos grupos da população apresentam maior risco de desenvolver formas graves, como crianças, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido. Ainda assim, a doença também pode atingir indivíduos jovens e saudáveis.
A vacinação é apontada por especialistas como a principal forma de prevenção. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza imunizantes contra alguns dos principais agentes causadores da doença, incluindo meningococo, pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
De acordo com autoridades de saúde, manter a vacinação em dia e procurar atendimento médico diante de sintomas suspeitos são medidas fundamentais para reduzir o risco de complicações e evitar novos casos da doença.
Tribuna / Foto: Divulgação/Reprodução


