Doença segue mais frequente após os 50 anos, mas crescimento entre mais jovens amplia alerta para investigação antecipada e mudança de hábitos
Por Rayllanna Lima
Durante muito tempo, o câncer colorretal foi tratado quase exclusivamente como uma doença da maturidade. A recomendação de investigação a partir dos 50 anos consolidou essa percepção, entretanto o avanço de casos em adultos mais jovens tem modificado o debate médico e ampliado o alerta para diagnóstico precoce, independentemente da idade.
No Brasil, o câncer colorretal é o terceiro tipo mais incidente, com estimativa de cerca de 45 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Na Bahia, a estimativa aponta aproximadamente 1.940 novos casos anuais, sendo cerca de 690 apenas em Salvador. Em 2025, o estado registrou 3.722 internações e 1.624 óbitos relacionados à doença. Os números evidenciam o impacto da enfermidade, mas especialistas reforçam que o cenário pode ser significativamente diferente quando o tumor é identificado em fase inicial.
Embora a maior incidência ainda esteja concentrada em pessoas acima dos 50 anos, médicos observam crescimento proporcional entre adultos mais jovens. Esse movimento tem sido atribuído a mudanças no estilo de vida, como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, obesidade, consumo de álcool e tabagismo, além de fatores genéticos.
Para o coloproctologista Ramon Mendes, coordenador do Núcleo de Coloproctologia do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), a mudança de perfil exige atenção redobrada. “Estamos diagnosticando câncer colorretal em pacientes cada vez mais jovens, muitas vezes em estágios avançados, porque os sintomas iniciais são confundidos com problemas benignos, como hemorroidas ou alterações intestinais funcionais”, afirma.
Segundo ele, a associação automática da doença ao envelhecimento pode atrasar a investigação. “A ideia de que jovem não tem câncer precisa ser definitivamente abandonada”, reforça. Entre os principais sinais de alerta estão sangramento nas fezes, dor abdominal persistente, alteração do hábito intestinal, perda de peso inexplicada e anemia. A orientação é que esses sintomas não sejam ignorados.
O diagnóstico precoce segue como principal divisor de águas. O rastreamento pode incluir pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia, exame capaz de identificar tumores iniciais e remover pólipos antes que evoluam. A recomendação para a população geral começa aos 45 anos, podendo ser antecipada em casos de histórico familiar ou fatores de risco.
“A cirurgia robótica é uma grande aliada, mas ela não substitui o rastreamento adequado. Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as chances de cura, independentemente da técnica utilizada”, destaca o coloproctologista Ramon Mendes.
Quando há necessidade de cirurgia, a tecnologia tem ampliado as possibilidades terapêuticas. “A robótica oferece visão tridimensional ampliada, maior precisão nos movimentos e melhor preservação de nervos e estruturas anatômicas, o que impacta diretamente na qualidade de vida do paciente no pós-operatório”, explica o especialista, pioneiro da técnica na Bahia. “Conseguimos remover o câncer com segurança oncológica e, ao mesmo tempo, reduzir complicações como disfunções urinárias, sexuais e intestinais”, disse o médico.
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