Das 40 vagas mobilizadas para os pequenos, apenas três estavam ocupadas. Porém, não dá para brincar com a doença: na última semana, 64% dos casos notificados se confirmaram
Por Lily Menezes
Natal passou, Ano Novo também, mas a Bahia ainda não se viu livre da pandemia de Covid-19. Nos primeiros dias de 2023, pelo menos, o sistema de saúde não está sofrendo a mesma pressão: das 472 vagas para adultos na Bahia, mobilizadas nos hospitais Espanhol e Sagrada Família, 115 estão ocupadas, sendo 49 internações nas enfermarias e 66 nas UTIs, com taxas de 21% e 34% respectivamente. Na ala pediátrica, que já teve meses de lotação máxima durante o ano passado, a situação melhorou sensivelmente. Até ontem, segundo informações da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), dos 40 leitos mobilizados para receber os pequenos no Instituto Couto Maia, apenas três estão ocupados: um de enfermaria e dois de UTI. Em Salvador, os índices de ocupação nos leitos adultos são de 21% nas enfermarias e 29% nas UTIs.
Também diminuíram os casos ativos no intervalo de uma semana, caindo de 4.408 em 27 de dezembro para os atuais 2.605 cidadãos que lutam contra a Covid, 868 deles em Salvador. No entanto, vale lembrar que o tempo de incubação do vírus é de até duas semanas, de forma que os impactos das aglomerações nas praias e eventos festivos para dar as boas vindas a 2023 só devem começar a impactar nos indicadores da pandemia a partir da segunda quinzena de janeiro. Deste modo, a população não deve se descuidar: mesmo com a redução nas hospitalizações, o vírus continua se expandindo: ainda segundo as informações da Central Integrada de Comando e Controle da Saúde, dos 14.277 casos notificados no intervalo entre 27/12 e 05/01, 64,64% se confirmaram, enquanto 25,64% foram descartados.
É importante destacar, ainda, a influência da subnotificação, sobretudo nas situações onde o indivíduo está assintomático, não se testa e dissemina a doença sem saber. Neste momento, trinta municípios baianos estão há quinze dias ou mais sem confirmações. Destes, um se destaca: Firmino Alves, no Sudoeste, não apresenta novos casos conhecidos de Covid há 149 dias. Outras três cidades estão sem registros por mais de um mês: Gongogi (34 dias desde o último caso), Macarani (34 dias) e Wanderley (31 dias).
Mortes
Ainda no período considerado pela reportagem, foram 93 vidas perdidas para a Covid-19 na Bahia (19 delas em Salvador), sete a mais em comparação ao número visto após as festividades de 2021-2022. 54 cidades registraram ao menos um falecimento em decorrência de complicações da doença. 50 eram do sexo masculino e 43, do feminino, enquanto 57% das vítimas tinham alguma comorbidade. A faixa a partir dos 60 anos foi a mais impactada, com 44 e 32 óbitos para cada lado. Entretanto, um menino com menos de um ano de idade e uma menina abaixo dos cinco anos também faleceram.
Tribuna/Foto: Betto Jr./Secom


