O modo como Wagner anunciou a candidatura de Tássio, durante o almoço com o MST, foi visto como uma manobra “rasteira”
Por Mateus Soares
A decisão do senador Jaques Wagner (PT) de se envolver diretamente na eleição para a presidência estadual do seu partido, ao lançar a candidatura de Tássio Brito, membro do MST e da corrente Esquerda Popular Socialista (EPS), intensificou a tensão interna no partido, longe de promover a pacificação desejada.
As reações mais duras partiram da Construindo um Novo Brasil (CNB), corrente majoritária no PT da Bahia e no cenário nacional, e da Resistência Socialista (RS). Integrantes dessas alas não esconderam o descontentamento com o que classificaram como mais uma “ingerência” do senador na sucessão partidária.
A insatisfação foi agravada porque, momentos antes do anúncio de Wagner — feito durante um almoço do MST em homenagem ao candidato à presidência nacional do PT, Edinho Silva —, a CNB havia decidido, em reunião na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), lançar um nome próprio para a sucessão de Éden Valadares, atual presidente estadual do partido.
A decisão contrariou Éden, que tentou impedir a aprovação da resolução, mas sem sucesso, abandonando a reunião antes do fim. Internamente, lideranças importantes da CNB, como o deputado estadual Rosemberg Pinto, líder do governo na AL-BA, demonstraram descontentamento com a atitude de Wagner. Rosemberg, defensor da apresentação de uma candidatura da CNB até 8 de julho, chegou a procurar o senador para manifestar seu desagrado, considerando precipitada a iniciativa de lançar um nome sem consenso entre as correntes.
Correntes
Na Resistência Socialista, que já lançou o vereador de Itabuna, Manoel Porfírio, como candidato à presidência estadual, a intervenção de Wagner também foi duramente criticada. Segundo o site, um dirigente da RS chegou a sugerir que Porfírio fizesse um pronunciamento público rechaçando o que consideraram mais uma tentativa de Wagner de impor um nome à direção partidária — como ocorreu há seis anos, quando Éden, então assessor do senador, foi lançado sob o pretexto de renovação interna.
O modo como Wagner anunciou a candidatura de Tássio, durante o almoço com o MST, foi visto como uma manobra “rasteira” por parte de alguns petistas. Segundo relatos, o senador teria aparecido de surpresa no evento para garantir o apoio imediato da EPS. Contudo, a presença constante do deputado federal Valmir Assunção, liderança do MST na Bahia, ao lado de Wagner, sugere que a articulação havia sido previamente combinada.
Adversários de Tássio acusam Wagner de, junto com Éden, ter manipulado a agenda de Edinho Silva em Salvador. A dupla teria trabalhado para excluir o presidente nacional do PT, senador Humberto Costa, e o ministro Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral da Presidência, da reunião em que Edinho seria apresentado ao governador Jerônimo Rodrigues. A interpretação é de que o objetivo seria criar a narrativa em Brasília de que Wagner foi o principal responsável pelo apoio de Jerônimo ao candidato de Lula à presidência nacional do partido.
Tribuna/Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil


