A deputada federal Dayane Pimentel (PSL) se elegeu em 2018 pela Bahia na onda criada pela explosão do bolsonarismo no Brasil
Foto: Divulgação / Câmara dos Deputados
A deputada federal Dayane Pimentel (PSL) se elegeu em 2018 pela Bahia na onda criada pela explosão do bolsonarismo no Brasil. A ex-aliada do presidente, hoje, se diz arrependida da decisão. “Quem apoiou o governo Bolsonaro, assim como eu, esperava justamente o inverso do que ele promove”, relata, em entrevista à Tribuna. Ela, que já frequentou as reuniões mais íntimas da família do presidente, hoje se diz ludibriada. “As pessoas apostam, apoiam, mas quando percebem que foram ludibriadas começam a rever e pensar em outras alternativas. Como eu participo dos bastidores da política, entendi já em 2019 que Bolsonaro não tinha projeto de governo, mas plano de poder”, ressalta. Do poder remanescente do período de apoio governista, restou para Dayane o comando do PSL na Bahia. O partido, contudo, deve se fundir com o DEM em breve. Ela diz que continuará na cúpula da legenda. “Sigo junto à executiva nacional e buscando contribuir com o novo formato da estadual que terá o comando de ACM Neto”, ressalta. No papo, ela faz uma avaliação da cena política. E crava sobre a eleição de 2022: “Nenhum parlamentar vai querer seu nome atrelado ao de Bolsonaro por mais cargos, nomeações e emendas que se tenha. Se sua saída não ocorrer via impeachment, vai ocorrer via urnas”.
Tribuna da Bahia – Qual sua percepção geral da conjuntura nacional atual? Tensa?
Dayane Pimentel – Sim, é tensa porque o caos político reflete na economia, na política sanitária, na política social e em muitas outras esferas extremamente importantes para a estabilidade do país. Quem apoiou o governo Bolsonaro, assim como eu, esperava justamente o inverso do que ele promove. Foi eleito usando um discurso que precisávamos no momento, o discurso que falava em ordem, em progresso, na moral, honestidade, em mercado aberto, em combate à corrupção e tudo isso conquistou um eleitorado órfão de discursos que valorizassem o indivíduo, as famílias e os empreendedores deste país, só que na prática ele não honrou esses compromissos e ainda trouxe uma instabilidade política que é o principal fator da crise econômica e sanitária no país. As pessoas apostam, apoiam, mas quando percebem que foram ludibriadas começam a rever e pensar em outras alternativas. Como eu participo dos bastidores da política entendi já em 2019 que Bolsonaro não tinha projeto de governo, mas plano de poder.
Tribuna da Bahia – Agora que a vacinação já está se consolidando, a senhora acredita em uma retomada maior da economia no ano que vem? Ou o cenário atual ainda desanima e pede cautela?
Dayane Pimentel – O cenário econômico foi prejudicado justamente pela demora da vacina. É um cenário bastante desanimador, o mercado não investe em governos instáveis. Por isso temos um grande problema em mãos.
Tribuna da Bahia – O que achou do discurso de Bolsonaro na ONU?
Dayane Pimentel – Vergonhoso. Além das mentiras desmentidas uma a uma por todos os países que acompanham nossa realidade, sinalizou à política e ao mercado externos que o Brasil tem como chefe de estado seu maior problema atual.
Tribuna da Bahia – Como avalia a decisão do Senado de rejeitar a volta das coligações?
Dayane Pimentel – É inquestionável que os partidos menores terão muitas dificuldades em obter êxito nas eleições com a falta das coligações.
Tribuna da Bahia – Com a fusão do PSL com o DEM, como a senhora continuará no comando do partido na Bahia? Como deve ficar esse desenho?
Dayane Pimentel – Sigo junto à executiva nacional e buscando contribuir com o novo formato da estadual que terá o comando de ACM Neto.
Tribuna da Bahia – A fusão poderá prejudicar de alguma forma sua reeleição?
Dayane Pimentel – Pelo contrário. A fusão será fundamental, pois montaremos uma chapa muito forte. Além de que a minha reeleição é compromisso entre Bivar e Neto.
Tribuna da Bahia – A senhora aceitaria conversar novamente com Bolsonaro e, quem sabe, restabelecer a antiga aliança?
Dayane Pimentel – Aliança não. Sou adepta da política do diálogo e aprendi que o aliado e o opositor de hoje podem não ser os de amanhã e que podemos dialogar com todo, mas Bolsonaro é um caso à parte, ele é um grande problema para a nação.
Tribuna da Bahia – A eleição para governador da Bahia sofrerá influência da polarização nacional Lula-Bolsonaro?
Dayane Pimentel – De forma alguma e as pesquisas já mostram isso. Serão duas disputas com suas próprias particularidades e distância entre si.
Tribuna da Bahia – Apesar da atual polarização, acredita na possibilidade de surgir uma terceira via na disputa pela Presidência?
Dayane Pimentel – Acredito muito e vejo essa fusão PSL/DEM como grande possibilidade para essa terceira força. A fusão entre o DEM e PSL é um dos grandes marcos da política nos últimos tempos, duas potências em quadros políticos, em estrutura e em trajetória. Tenho certeza que essa fusão será a grande protagonista nas próximas eleições tanto a nível nacional quanto a nível estadual. Luciano Bivar e ACM Neto são dois líderes natos que possuem projetos para o país e para o estado e essa união demonstra a busca por um projeto cívico pautado nos conceitos de políticas públicas, gestão, economia forte e com uma representatividade plural onde toda sociedade se sentirá incluída. Nasce com muita força, preparo e experiência para poder contribuir ainda mais com a nossa política brasileira.
Tribuna da Bahia – Quem a senhora pretende apoiar na eleição presidencial?
Dayane Pimentel – Preciso saber primeiro quais serão os candidatos. Contudo, buscarei minha opção na terceira via.
Tribuna da Bahia – E em um eventual segundo turno entre Bolsonaro e Lula, qual seria sua opção?
Dayane Pimentel – Votaria nulo, mas creio que esse não será o segundo turno porque a parcela sensata do nosso país não permitirá essa dicotomia nociva. A terceira via vai se concretizar e estará no segundo turno, livrando a população de ter que escolher entre o ruim e o péssimo, entre o projeto de usurpação do erário e o projeto de poder tirano. O país precisa de equilíbrio, gestão e políticas públicas humanas. Nem Lula nem Bolsonaro são capazes de trazer esse equilíbrio ao país e isso já está provado.
Tribuna da Bahia – Há risco de algum tipo de ruptura democrática ou enfraquecimento das instituições?
Dayane Pimentel – As instituições estão vigilantes e a população abomina essa hipótese. Bolsonaro está caindo muito nas pesquisas, seu discurso não encontrará força na prática.
Tribuna da Bahia – Qual o clima nos bastidores sobre a postura de Bolsonaro, há possibilidade de impeachment?
Dayane Pimentel – Não tenho a menor dúvida de que a grande maioria no Congresso entende que Bolsonaro é altamente despreparado para o cargo que ocupa, no entanto, nenhum governo na história liberou mais emendas extraorçamentárias do que ele, cargos, nomeações… tudo em troca de apoio. Esse “toma lá, dá cá” que é praticado no governo de Bolsonaro dificulta e muito a ideia de impeachment. Mas vai chegar o momento, e não está longe como mostram as pesquisas, que esse centro de sustentação irá abandonar esse governo. Nenhum parlamentar vai querer seu nome atrelado ao de Bolsonaro por mais cargos, nomeações e emendas que se tenha. Se sua saída não ocorrer via impeachment, vai ocorrer via urnas.


