O cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Fábio Dantas Neto, avalia que a eleição nacional já tem influenciado no pleito para governador
Por Rodrigo Daniel Silva
O cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Fábio Dantas Neto, avalia que a eleição nacional já tem influenciado no pleito para governador. Para ele, se não estivesse ocorrendo essa interferência nacional, o candidato do União Brasil, ACM Neto, teria uma distância nas pesquisas ainda maior em relação aos adversários Jerônimo Rodrigues (PT – que tem o apoio do ex-presidente Lula) e João Roma (PL – que é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro).
Paulo Fábio, entretanto, ressaltou que a “influência nacional não pode agir sozinha” para definir a eleição estadual. “Os fatores estaduais têm que cooperar também. Uma série de coisas aconteceram. A fissura dentro da aliança governista. O fato de ser um candidato (Jerônimo Rodrigues) sem nenhum tipo de tradição anterior. Tem o fato de ter do outro lado um adversário (ACM Neto) com peso eleitoral importante, com experiência e trajetória. Isso tudo fazendo com que essa influência não seja bastante, por enquanto. Não acredito que esteja havendo a ausência de influência. Se não houvesse a influência nacional, talvez, a distância do Neto fosse maior do que está sendo”, avaliou Paulo Fábio, em entrevista à Tribuna.
A última pesquisa Quaest/Genial, divulgada em julho, mostrou Neto com 61% das intenções de votos, Jerônimo com 11%, e João Roma (PL) com 6%. Para Paulo Fábio, é evidente que a polarização nacional entre Lula e Bolsonaro não “estabeleceu” na pré-campanha ao governo da Bahia.
“Na pré-campanha, não se estabeleceu no eleitorado qualquer polarização propriamente dita. Nem o campo do PT e muito menos o campo de Bolsonaro conseguiu estabelecer uma coisa que se possa chamar de polarização. Até aqui, há uma vantagem tranquila do candidato ACM Neto. Agora, existem analistas por aí dizendo que o eleitor começa a prestar atenção de verdade nas eleições estaduais quando a campanha começa. Então, temos que aguardar isso. Mas, como balanço de pré-campanha, eu diria que há um contraste claro entre o que acontece entre o eleitorado nacional e o que está ocorrendo com o eleitorado baiano”, avaliou.
Paulo Fábio entende ainda que a vantagem de ACM Neto “inibe” uma intervenção maior do ex-presidente Lula na eleição baiana. “Essa distância (de ACM Neto para Jerônimo) inibe a própria candidatura nacional a arregaçar as mangas. Uma eleição, como essa, muito disputada a nível nacional, uma votação muito expressiva na Bahia, que é o quarto maior colégio eleitoral do país, é muito importante para Lula. O meu raciocínio – não é meu só, é todo mundo que observa – é que não interessa nem a Lula nem a ACM Neto criar esse clima de competição acirrada, de polarização acirrada, que interessa, por outro lado, para quem está em desvantagem nas pesquisas, aos candidatos a deputado, principalmente, que precisam dessa polarização para encontrar seus nichos”, analisou.
Foto: Reprodução


