Presidente nacional do DEM, o ex-prefeito soteropolitano ACM Neto reagiu à tentativa da oposição baiana de associá-lo ao presidente Jair Bolsonaro
Por Rodrigo Daniel Silva
Presidente nacional do DEM, o ex-prefeito soteropolitano ACM Neto reagiu à tentativa da oposição baiana de associá-lo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Depois da eleição da presidência da Câmara dos Deputados, os opositores, sobretudo, os petistas disseram que Neto se aproximou do chefe do Palácio do Planalto para ter uma “boquinha no governo”.
“A oposição não tem o que fazer e procura coisa para inventar. Quem me conhece, conhece a minha postura, sabe como vai ser a minha postura, na linha da independência. Independência não quer dizer ser oposição ao governo. É ser a favor no que for bom para o país, e ser contra no que vai prejudicar o país. Essa especulação vai se esvair rapidamente na medida que as pessoas perceberem que não negociei nem cargo nem espaço no governo. Eu sugiro que a oposição procure o que fazer”, disse o ex-prefeito, em entrevista exclusiva à Tribuna.
Presidente do PT na Bahia, Éden Valadares foi um que atacou ACM Neto após o DEM declarar neutralidade na disputa pela Câmara. “Está claro que ACM Neto pegou mais uma boquinha no governo e aceitou o toma-lá-dá-cá de Bolsonaro. Isso a Bahia e o Brasil já viram. E zero pessoas ficaram surpresas. Não é de hoje que Neto e o DEM dão sustentação e indicam cargos no governo do Bozo (sic)”, disse ele. O senador Jaques Wagner (PT) também cutucou o ex-prefeito, ao falar que Neto teria traído o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). “Não me surpreende. É a tradição dele. Abandonar amigos e aliados, sempre no apagar das luzes, como fez em 2018 e agora. Só se move pelos próprios interesses”, disse Wagner, em uma publicação nas redes sociais.
Neto disse que não ia responder o ex-governador da Bahia. “Eu (responder)? De forma alguma. Deixa ele falar sozinho”, pontuou. O presidente nacional do DEM explicou a decisão do partido de ficar neutro no pleito da Câmara. Segundo ele, apesar do desejo de Rodrigo Maia de que a sigla apoiasse o deputado federal Baleia Rossi (MDB), a maioria da bancada queria ficar no bloco de Arthur Lira (PP).
“Estou muito tranquilo (com a minha decisão de a legenda ficar neutra). Tudo que eu fiz foi focando na eleição do Senado. Eu já dizia que a minha prioridade absoluta seria o Senado. Deu certo e saímos vitoriosos. O Democratas vai mais uma vez administrar o Senado. Eu sou presidente do partido, mas não sou o dono do partido. A vontade da bancada na Câmara não foi essa (de apoiar Baleia Rossi). E, como presidente do partido, eu tenho que conciliar os diferentes interesses do Democratas. O papel do Rodrigo Maia era um, o meu papel era outro. Diante do quadro do que foi colocado, a maioria da bancada não queria (apoiar Baleia Rossi), eu não tinha outra alternativa. Se não fosse eu a convocar (para o partido para ficar neutro), o partido ficaria com Arthur Lira porque a maioria queria aderir ao bloco dele. Eu não sou dono das vontades, e não podia aceitar implodir o meu partido”, disse Neto.
Sobre a permanência de Rodrigo Maia no Democratas, ACM Neto disse que a “decisão é exclusivamente dele”. O ex-prefeito contou ainda que retoma hoje a agenda de visitas às cidades do interior do estado. Ele estará na manhã desta quinta em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano.
Tribuna/Foto: Reprodução / Facebook


