O resultado chama atenção principalmente porque ocorre depois de duas quedas consecutivas na inadimplência no estado
Por Hieros Vasconcelos
A inadimplência de aluguel voltou a subir na Bahia em julho e chegou a 4,83%, segundo o Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica. A taxa avançou 0,21 ponto percentual em relação a junho, quando estava em 4,62%, e ficou ainda mais distante do resultado registrado no mesmo mês de 2025, de 3,93%. Em um ano, a alta foi de 0,90 ponto percentual. Apesar do avanço, a Bahia terminou julho com uma taxa de inadimplência abaixo da média do Nordeste, que ficou em 4,88%. No entanto, o índice baiano permaneceu bem acima da média nacional, de 3,05%, conforme os dados da Superlógica.
O resultado chama atenção principalmente porque ocorre depois de duas quedas consecutivas na inadimplência no estado. Segundo Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, ainda é cedo para apontar uma tendência de piora, mas o movimento precisa ser acompanhado. “Ainda é cedo para determinar uma tendência de piora, mas é importante seguir de olho nas projeções de inflação e nas taxas de juros”, afirmou Gonçalves. De acordo com ele, esses fatores influenciam diretamente a estabilidade financeira das famílias e podem afetar a capacidade de manter o aluguel em dia.
O cenário baiano acompanha, em parte, uma realidade diferente dentro do próprio Nordeste. Enquanto a inadimplência geral dos aluguéis aumentou na Bahia, a média regional recuou. Conforme o levantamento, o Nordeste fechou julho com índice de 4,88%, ante 5,15% em junho, uma redução de 0,27 ponto percentual.
Mesmo com a queda, a região continuou ocupando a primeira posição no ranking nacional de inadimplência locatícia. O Norte apareceu em segundo lugar, com 4,04%, seguido pelo Centro-Oeste, com 2,80%, Sudeste, com 2,78%, e Sul, que apresentou a menor taxa do país, de 2,67%. No recorte por tipo de imóvel, os comerciais lideraram a inadimplência no Nordeste em julho. A taxa chegou a 7,18%, embora tenha apresentado uma pequena redução em relação aos 7,23% registrados em junho. As casas apareceram na sequência, com 5,59%, contra 6,24% no mês anterior.
Os apartamentos também registraram queda na região. Segundo a Superlógica, a inadimplência nessa categoria passou de 3,52% em junho para 3,44% em julho. Os dados mostram que o problema não atinge todos os contratos de aluguel da mesma maneira. No levantamento nacional, os imóveis de menor valor concentram as maiores taxas de inadimplência, o que coloca as famílias com orçamento mais apertado no centro da preocupação.
De acordo com a Superlógica, os imóveis residenciais com aluguel de até R$ 1 mil registraram inadimplência de 5,99% em julho, a maior entre as faixas de preço analisadas. Nos imóveis comerciais da mesma faixa de valor, o índice chegou a 7,27%. “Mesmo com uma queda na inadimplência em nível nacional, a concentração das maiores taxas entre os aluguéis residenciais de menor valor é um ponto de atenção”, avaliou Manoel Gonçalves. Segundo ele, o resultado mostra que a inadimplência “não se distribui de maneira uniforme pelo mercado” e reforça a necessidade de acompanhar a evolução do orçamento das famílias.
O diretor da Superlógica também relacionou o comportamento da inadimplência ao custo de vida. Conforme Gonçalves, em um cenário de juros elevados e pressão sobre as despesas, famílias com menor margem financeira tendem a sentir mais o impacto de gastos essenciais, como alimentação e transporte. “Famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, como alimentação e transporte”, afirmou. Segundo ele, essa pressão pode diminuir a capacidade de absorver imprevistos e manter compromissos financeiros, entre eles o pagamento do aluguel.
Na comparação entre os diferentes tipos de imóveis em todo o país, os três segmentos apresentaram queda em julho. Os imóveis comerciais registraram taxa de inadimplência de 4,17%, contra 4,19% em junho. Nas casas, o índice caiu de 3,45% para 3,29%, enquanto nos apartamentos passou de 2,16% para 2,14%, conforme o levantamento.
A análise por faixa de aluguel também mostra que a inadimplência não está concentrada apenas nos imóveis mais baratos. Entre os imóveis residenciais, um dos maiores recuos ocorreu na faixa acima de R$ 13 mil, cuja taxa caiu 0,58 ponto percentual e chegou a 4,84% em julho. Entre os imóveis comerciais, a faixa de R$ 5 mil a R$ 8 mil apresentou queda de 3,90% para 3,77%. As menores taxas foram registradas nos imóveis residenciais entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, com 1,74%, e nos comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 3,42%.
Na Bahia, o resultado de julho também precisa ser observado dentro de um período mais amplo. Segundo o Índice Superlógica, a média de inadimplência no primeiro semestre de 2026 foi de 5,89%. O resultado ficou abaixo dos 6,04% registrados no segundo semestre de 2025, mas acima da média de 4,75% observada no primeiro semestre do ano passado. Ou seja, apesar da melhora registrada na média dos primeiros seis meses deste ano em relação ao segundo semestre de 2025, julho trouxe uma nova pressão sobre os pagamentos de aluguel no estado. O aumento de 0,90 ponto percentual em relação a julho de 2025 reforça a necessidade de acompanhar os próximos meses.
O Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica é elaborado mensalmente a partir de dados internos e anonimizados do mercado brasileiro de locação imobiliária. De acordo com a empresa, o levantamento desta edição considerou informações de mais de 800 mil locatários em todo o país. São considerados inadimplentes os locatários que possuem boletos há mais de 60 dias sem pagamento ou que quitaram os valores com atraso superior a 60 dias. Conforme a Superlógica, os dados são anonimizados e não podem ser associados direta ou indiretamente a uma pessoa.
Tribuna / Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia


