De acordo com a datatech brasileira, em setembro, 1.061.357 pequenas empresas nordestinas estavam no vermelho, enquanto que nacionalmente este número chegou a mais de 6,5 milhões, totalizando R$ 112,9 bilhões
Por Hieros Vasconcelos
Sem capital de giro e sobrevivendo com base na economia momentânea, as micro e pequenas empresas (MPE’s) ao mesmo tempo em que podem ser um bom negócio, correm facilmente o risco de se endividarem a depender da inflação e de um revés econômico.
E foi justamente o que aconteceu com um considerável número de MPE’s baianas: as altas taxas de juros, a inflação e o acesso limitado aos créditos deixaram 305.538 negócios com as contas no vermelho na Bahia.
Os dados são do Indicador de Inadimplência da Serasa Experian e foram divulgados esta semana. Eles apontam o estado como o primeiro do Nordeste com mais micro e pequenas empresas com as contas atrasadas, ficando na frente de Pernambuco (190.434), Ceará (151.669), Maranhão (115.687), Alagoas (75.088) e Rio Grande do Norte (70.058).
O número de MPEs inadimplentes no estado baiano é quase o dobro de negócios abertos em quase um ano. De agosto de 2023 a julho deste ano, a Serasa Experian registrou a abertura de 170.516 micro e pequenas empresas na Bahia. A média de abertura por mês fica entre 10 mil a 15 mil MPE’s. “Ou seja, se tem mais negócios endividados do que abertos, é sinal de que algo não vai bem em todos os sentidos, está faltando apoio jurídico das instituições, está faltando acesso ao credito, pois quem mais se endivida é quem não tem patrimônio”, comenta o economista Gustavo Assis.
Assis explica que quem mais está sendo prejudicado com altas taxas de juros e a inflação são as MPE’s voltadas para o setor de serviços, principal segmento da Bahia. Para especialistas, as contas no vermelho podem ser resultado dos desafios enfrentados pela economia nos últimos meses, como a alta taxas de juros e inflação. Segundo Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, as MPE’s são as primeiras a sentir o impacto por terem menos margem de manobra para absorver choques econômicos.
“Além disso, elas enfrentam dificuldades adicionais, como acesso limitado a crédito e financiamento. Bancos e instituições financeiras tendem a ser mais cautelosos ao conceder empréstimos para esses negócios devido ao maior risco percebido. Isso cria um círculo vicioso em que a falta de acesso a capital impede o crescimento e a sustentabilidade dessas empresas, aumentando ainda mais a probabilidade de inadimplência”, explica Luiz Rabi
De acordo com a datatech brasileira, em setembro, 1.061.357 pequenas empresas nordestinas estavam no vermelho, enquanto que nacionalmente este número chegou a mais de 6,5 milhões, totalizando R$ 112,9 bilhões.
Isso representa um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando 6 milhões de empresas estavam inadimplentes. Em setembro, 55,0% das MPEs inadimplentes eram do setor de “Serviços”, 37,1% do “Comércio”, 7,5% da “Indústria” e 0,4% de “Demais”, que englobam companhias dos segmentos Primário, Financeiro e Terceiro Setor.
Na visão por regiões, a avaliação do indicador mostrou que a maior parte das MPEs com CNPJs negativados eram do Sudeste (53,3%) e a menor parcela do Norte (5,5%).
As Unidades Federativas (UFs) que lideraram o ranking com mais Micro e Pequenas Empresas inadimplentes foram São Paulo (2.207.002), Minas Gerais (577.519) e Rio de Janeiro (574.450).
Planejamento
São variados os motivos que levam uma MPE a se endividar, por isso, o recomendado é que ela esteja sempre em contato com consultores ou especialistas. Sem um plano detalhado, as empresas podem tomar decisões erradas e comprometer suas finanças, daí a importância de ter um plano de gestão financeira.
Outro fator importante apontado por especialistas é a gestão de estoque ineficiente: Estoques desorganizados geram custos que podem afetar o capital de giro da empresa. “Há também uma grande dificuldade na gestão de crédito. É um risco conceder crédito sem analisar os clientes e sem ter regras claras de cobrança pode gerar perdas financeiras.”, afirma o economista Gustavo Assis,.
Ele explica, ainda, a importância de sempre estar avaliando os riscos. “Investir sem avaliar os riscos e o retorno pode ser prejudicial para a empresa. Importante fazer as contas dos custos operacionais. Afinal, aluguel, energia e telefone caros impactam o lucro do negócio e podem gerar dívidas”, destaca. Assis lembra, ainda, que a inadimplência dos consumidores também afeta as MPEs. “Com menos recursos disponíveis, os consumidores diminuem seus gastos, o que afeta diretamente o faturamento das empresas”.
Tribuna/Foto: Reprodução


