Quem não fizer logo a conta vai amargar um grande prejuízo e pode quebrar
Por Cleusa Duarte
O fim de semana sempre foi para os baianos motivo de alegria e descanso curtindo uma boa praia, tomando uma cerveja acompanhado de uma deliciosa feijoada, um dos pratos preferidos e até pouco tempo barato. Mas a pandemia do coronavírus, a guerra entre Rússia e Ucrânia além da alta dos preços dos combustíveis e gás de cozinha geram impacto negativo em todos os derivados, bem como provocam aumento na distribuição dos insumos. Um círculo vicioso que não pára mais. As donas de casa e os bares e restaurantes soteropolitanos estão se reinventando a cada dia. De acordo com o presidente da Abrasel-Ba, Leandro Menezes, a situação está complicada.
“Um dos impactos é a diminuição dos lucros, porque de imediato não dá para aumentar, repassar os valores, e afastar a clientela. Outro ponto é que com a alta dos preços em geral, o poder aquisitivo baixou e sobra menos dinheiro para realizar uma alimentação fora de casa”, comenta Leandro.
Em Salvador, Leandro argumenta que a situação está complicadíssima. Algumas pessoas ainda estão pagando os empréstimos feitos durante a pandemia. Não tivemos ajuda por parte do governo estadual e apenas um pequeno incentivo do governo municipal. Para quem trabalha com a alimentação do dia a dia, como os estabelecimentos de comida a quilo, as dificuldades são ainda maiores. Quem não fizer logo a conta vai amargar um grande prejuízo e pode quebrar”.
No Reunião Bar Restaurante e Pizzaria, em Pernambués, no Condomínio São Judas Tadeu, a gerente Siomara Souza diz que a quentinha que custava há 1 mês R$19,90 hoje está custando R$24,90. Mas a situação da tradicional feijoada baiana é ainda pior.
“O custo da feijoada para colocar no fogo 3 quilos atende aproximadamente 40 pessoas e em termos de custo em média estamos gastando R$434,00 sem contar os custos adicionais tais como: quentinha, saco plástico, sacola de papel, adesivo e o gás. Mês passado eu conseguia comprar a mesma quantidade por R$268,00. temos percebido um aumento excessivo nos preços não só da carne como nos temperos e no próprio feijão”.
Siomara destaca que isso tem impactado muito no faturamento do estabelecimento, “feijoada mais cara e entrega também mais cara, em média 50%. Uma entrega no próprio bairro que custava R$5,00 hoje custa R$7,50 a R$8,00. A que custava 10,00 hoje custa 15,00. A comida delivery que era uma facilidade para muitos, hoje tem virado uma grande dificuldade para todos”. A Feijoada com 500g sai no pote por R$29,90 e R$59,90 o quilo. Com guarnições sobe os valores para R$39,90 e R$69,90 o quilo, respectivamente.
A engenheira Clotilde Pimentel disse que já desistiu de almoçar fora algum tempo e que raramente compra algum alimento pronto, “desenvolvi o gosto pela cozinha, tenho preparado a alimentação da família. Comer fora está caro demais. O negócio é economizar, porque do contrário o salário não chega até o final do mês”.


