São pelo menos dez infectados simultaneamente pela Influenza e pela Covid
Por Lily Menezes
Se, sozinhas, a pandemia do novo coronavírus e o surto de Influenza H3N2 já são motivo de preocupação entre a população e as autoridades de saúde, a situação fica ainda mais séria quando a Bahia começa a apresentar ocorrências de gente que contraiu gripe e Covid ao mesmo tempo. A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) tomou conhecimento de onze pessoas infectadas simultaneamente em Salvador, Camaçari, Feira de Santana e Jaguari. As idades dos pacientes giram entre 13 e 91 anos, nenhum dos casos evoluiu para óbito, e não há informações sobre internados. O fenômeno da dupla contaminação vem num momento crítico para o sistema de saúde, em que o Estado já registrou 1,4 mil casos e 35 mortes ligadas à variante Darwin da Influenza, e a taxa de ocupação dos leitos de UTI adulto para tratar da Covid já chega perto dos 60%. Em Feira, um dos municípios afetados, o prefeito Colbert Martins disse que o Tamiflu, usado para tratar pacientes com a H3N2, está em falta, e deve haver reativação de leitos.
A secretária em exercício Tereza Paim está preocupada com as co-infecções e enfatiza a necessidade de prevenção através das medidas tomadas durante a pandemia, igualmente úteis para reduzir os riscos de contaminação pela Covid-19 e pela H3N2. “A síndrome gripal e a Covid são mais espalhados se a gente não usar máscara. Os métodos de barreira continuam os mesmos: uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento físico. Se você está com síndrome gripal, tem os sintomas como febre, espirros, dores no corpo, procure uma unidade básica de saúde”, disse a titular da Sesab, frisando que a busca por atendimento médico é ainda mais importante para os grupos mais sensíveis, que podem ter complicações pelas duas síndromes respiratórias. “Aos idosos, gestantes e crianças com imunosupressão, é muito importante usar medicamento específico”. Tereza alerta ainda que o cidadão deve se proteger através da vacinação. “Quem tem seu cartão habitual da vacinação da Influenza anterior tem uma menor probabilidade de óbito, ele vai ser um paciente menos sintomático”, explicou.
Até mesmo os infectologistas e epidemiologistas receberam a ‘flurona’, como foi apelidada a dupla contaminação, com surpresa, e elencam o relaxamento dos protocolos de prevenção e o atraso na tomada das vacinas de Covid e Influenza como fatores determinantes. Para o infectologista Fernando Chagas, a infecção simultânea foi potencializada pelo surto de H3N2 que atualmente acomete o país como um todo, e a combinação com a facilidade de espalhamento das variantes Delta e Ômicron pode gerar ainda mais casos de ‘flurona’. “Esse tipo de situação preocupa porque o sistema respiratório é atingido por dois vírus diferentes ao mesmo tempo. E o nosso corpo precisa multiplicar as defesas ainda mais”, comentou o especialista, que recomenda a procura por orientação médica ao surgimento de sintomas respiratórios, para que se possa fazer as testagens e tratamento apropriado. “Talvez no futuro, possamos ter uma única vacina periódica que proteja contra a gripe e contra a Covid. Até lá, vamos manter os cuidados básicos”, enfatizou Chagas.


