Em Salvador, o consumidor pode encontra o produto custando de R$ 7 a R$ 25
Por Davi Valadares
O café é a segunda bebida mais consumida pelos brasileiros, mas em 2021 o sabor da bebida ficou mais amargo. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a bebida chegou no ano passado ao maior preço em mais 25 anos, o que fez muitos consumidores abandonarem o produto. Em Salvador, o café pode ser encontrado de vários preços chegando a ultrapassar os R$ 25 em alguns supermercados da cidade.
“A alta nos preços está ligada a uma série de fatores. Há, primeiro, os danos climáticos na safra 2021-2022, mas também uma produção pequena em 2020-2021, uma demanda que cresceu na pandemia e custos de produção maiores com a alta do dólar”, explicou o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café, Celírio Inácio.
Conforme a Abic, o valor médio da saca de 60Kg está em cerca de R$1,3 mil a R$1,5 mil, o equivalente a pelo menos US$ 220. A última vez que o preço chegou nesse patamar foi em 1994, quando uma geada atingiu os estados de Paraná e São Paulo, que eram os maiores produtores do Brasil na época, o que fez a produção cair. Ainda segundo a associação, as projeções para 2022 ainda são especulativas, já que somente em março o setor terá uma ideia mais clara sobre a colheita da safra 2021-2022.
Preço
Nos supermercados de Salvador, o café mais barato no levantamento feito pela Tribuna da Bahia foi o Café Maratá Tradicional. O produto está custando R$ 7,99 no supermercado Mix Bahia. Mas se o consumidor optar por um rótulo diferente já vai ter que desembolsar um valor um pouco elevado. No supermercado Extra, por exemplo, o Café Pilão 500g é vendido no valor de R$ 25,80. O mesmo se repete com o Café 3 Corações Extra Forte 500g que tem seu preço estabelecido em R$ 18,90.
“Eu bebo café todos os dias. Ontem, inclusive, fui ao supermercado Todo Dia comprar. O que tenho percebido é que aumentou muito. Antes eu comprava o Café Melitta por R$ 4.00 no máximo. Ontem acabei pagando R$ 9.00 no mesmo rótulo. É uma diferença muito grande para o que estava acostumado a pagar”, contou a estudante e mãe de dois filhos, Tamires Moreno.
Quem pensa que o valor só está alto nos supermercados está enganado. Nas cafeterias da capital baiana o preço do cafezinho também tem sofrido reajuste. Por exemplo, na Lanchonete Moderno, na Djalma Dutra, o cafezinho de 200ML está saindo pelo preço de R$ 2.00. Se o consumidor quiser um copo um pouco maior pode pagar até R$ 5.00. O valor elevado nas cafeterias é resultado do aumento do produto nas prateleiras dos supermercados.
“Inicialmente, os industriais negociaram com o varejo e se esforçaram para segurar ao máximo o repasse para o produto final. O fato é que os estoques com o preço antigo acabaram, e os novos vieram com valores mais elevados, não sendo possível frear o repasse para o varejo, o que interferiu no valor do café nas gôndolas”, justificou Inácio.
Produto acessível
Apesar do aumento ser o maior registrado em 25 anos no país, o café continua sendo um alimento acessível. Conforme Inácio, o produto é altamente rentável. “Um quilo de café pode render até 14 litros da bebida, o equivalente a 280 xícaras de 50 ml. Embora o preço do pacote varie de acordo com o local ou com o ponto de venda, é um alimento que dura um bom tempo na despensa”, finalizou.
Foto: Romildo de Jesus


