HAJA BOLSO Cozinhar custará mais caro, num momento em que a situação econômica é ruim
Por: Hieros Vasconcelos
O mês de agosto começou com um verdadeiro desgosto para a população pobre e classe média da Bahia: o aumento no gás de cozinha passou a valer a partir de ontem em todo o estado, pegando muita gente de surpresa e causando indignação. “O que está acontecendo é muito grave. O povo não pode sofrer com aumentos constantes em coisa tão essencial que é o gás. Teve reajuste em março e agora”, afirmou a moradora de Nazaré e professora de Química, Marinalva Ferreira.
O preço ficou mais salgado por causa do reajuste de 10,16% para as distribuidoras, após decisão da Acelen, empresa que administra a Refinaria Mataripe, localizada em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador.
Pela cidade, o preço do botijão pode chegar até R$150, a depender do bairro e se a compra for com a entrega. No Dois de Julho, por exemplo, a revendedora já informou que retirando no local paga R$140. Se for pra levar o botijão na residência, a depender da distância, é cobrada um valor de até R$10.
Conforme o Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (Sindrevgas), atualmente o valor médio na capital baiana é de R$ 134, no entanto, com o aumento deve chegar a R$ 140.
Segundo o presidente do Sindrevgás, Robério Souza, o aumento foi expressivo e deixou toda a categoria perplexa. Ele lembra que recentemente, em junho, houve outro aumento de R$ que o revendedor absorveu, mas não repassou ao consumidor. “Agora nos deparamos com mais um reajuste, o que inevitavelmente chegará no bolso da população. O consumidor tem sua renda cada vez mais comprometida para aquisição de um produto tão essencial para o preparo dos alimentos”, disse.
Em março deste ano, outro reajuste foi informado pela Acelen. As distribuidoras passaram a pagar 8% mais caro pelo GLP – um reajuste equivalente a R$ 6 para a população. Por meio de nota, a Acelen afirmou que os produtos “seguem critérios de mercado, considerando variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais, dólar e frete, podendo variar para cima ou para baixo”. A empresa ressalta que possui uma política de preços transparente, amparada por critérios técnicos, em consonância com as práticas internacionais de mercado.
Um dos motivos que tem causado diversos reajustes do GLP pode ser a redução da produção pela empresa nos últimos anos. De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), após a privatização, a refinaria passou a produzir apenas 13 mil barris de gás de cozinha, reduzindo em 24,5%. Antes, eram produzidos 17,2 mil. A redução na produção de derivados de petróleo também foi observada após a privatização, assim como o aumento de importação de gás e cozinha para abastecer o mercado no país.
RUAS
Para a baiana de acarajé Rita Maria Conceição, o aumento chega em um péssimo momento. “Meu marido ficou desempregado agora e estou sustentando a família com o acarajé. Um botijão dura pouco menos de um mês. Qualquer aumento, dói no bolso”, declarou.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


