Terceira dose é importante para conter novas variantes, como a Omicron. Há ainda 1,5 milhões de faltosos da segunda dose, e esquema vacinal incompleto preocupa em meio à atual explosão de contaminados
Por Lily Menezes
Um ano atrás, quando a campanha de vacinação contra o novo coronavírus começou, a palavra de ordem era ‘a vacina é a arma na luta contra a pandemia’. Porém, muita gente não foi se ‘alistar’ para a batalha. Informações da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) mostram que 1.587.059 cidadãos habilitados para fechar ao menos a segunda etapa da vacinação não compareceram aos postos de saúde. O imunizante da Pfizer/BioNTech é de longe o que concentra mais atrasados, com 923.632 que não tomaram a segunda dose, seguido da vacina Coronavac, com 429.680 faltosos. A Oxford/AstraZeneca tem a menor taxa de aprazamentos vencidos: são 233.747 que precisam colocar o cartão de vacina em dia.
Porém, o maior número de faltosos está na terceira dose: ainda de acordo com a Sesab, são 2.598.079 pessoas que já estavam habilitadas e não foram tomar o reforço, que aumenta significativamente as defesas contra variantes como a Omicron e seu potencial alto de espalhamento comunitário. Em todo o Estado, 1.727.536 baianos já adiantaram o lado e reforçaram a proteção contra a Covid-19; na capital, 612.012 compareceram aos postos. Mesmo assim, o titular da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) Léo Prates está de olho nos faltosos do ‘vacinômetro’ da cidade num momento de explosão de novos casos e uma ocupação de leitos de UTI que não sai dos 60% há quase uma semana.
No balanço feito pela Prefeitura, 30 mil não apareceram sequer para a primeira dose, e outros 210 mil ainda não tomaram a segunda. O reforço ainda não foi feito por 400 mil soteropolitanos. “É um dado que nos preocupa. Estamos com casos crescentes da Covid-19 no município, e o número de vacinados pode contribuir para um crescimento ainda maior da transmissão. Por isso, estamos convocando todos os que ainda não estão em dia com o esquema vacinal para buscar os postos e regularizar a situação”, disse o titular da SMS. O subsecretário Décio Martins esteve na Arena Fonte Nova para acompanhar a vacinação infantil na tarde desta segunda (17) e fez um alerta para os adultos.
“Temos observado que a maioria das pessoas internadas, face à possível predominância da variante Omicron, são aquelas que não tomaram a vacina ou não completaram seu esquema vacinal. Só é possível vencer a pandemia com a vacina, que tem cumprido seu papel”, afirmou Martins. O registro de tantos ciclos vacinais incompletos também tem preocupado especialistas de saúde, pois com menos pessoas protegidas, a pandemia fica cada vez mais distante de uma redução nos casos e óbitos. “A gente tem uma variante cuja velocidade de transmissão é fora do comum”, disse o imunologista e pesquisador Gustavo Cabral, conclamando a todos que procurem se proteger. “A melhor arma para o controle de qualquer doença infectocontagiosa é a vacina. A ação de buscar a vacina é uma ação social, uma ação humanitária, assim como manter a máscara e os cuidados”.


