A Federação União Progressista, fruto da junção entre União Brasil e Progressistas (PP), foi oficializada ontem
Por Henrique Brinco
A Federação União Progressista, fruto da junção entre União Brasil e Progressistas (PP), foi oficializada ontem e já nasce como a maior força política do país, com 109 deputados federais, 14 senadores, cerca de 1.400 prefeitos e 12 mil vereadores em todo o Brasil. A formalização foi discutida em reunião da bancada do União Brasil na Câmara na noite de segunda-feira, com a presença de 44 deputados federais.
Também participaram do encontro o presidente do União Brasil, Antonio Rueda; o vice-presidente nacional do partido, ACM Neto; o ex-senador e ex-governador do Rio Grande do Norte, José Agripino Maia; o líder do União Brasil no Senado, Efraim Filho; o prefeito de Natal, Paulinho Freire; o ministro do Turismo, Celso Sabino; e o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho.
A federação será comandada provisoriamente por Antonio Rueda e Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, em modelo de copresidência até dezembro deste ano, quando será realizada eleição para definir a nova composição da direção. Segundo os articuladores, a União Progressista nasce com o objetivo de fortalecer a representação política no Congresso, ampliar a presença institucional nos estados e construir um projeto nacional consistente para os próximos anos.
Além da capilaridade e da expressiva base parlamentar, a nova sigla também concentrará os maiores volumes de recursos do sistema partidário. Em 2024, a União Progressista recebeu R$ 953,8 milhões do fundo eleitoral — a maior fatia entre todas as legendas e R$ 67 milhões a mais do que o PL, segundo colocado. No fundo partidário, também liderou, com R$ 197,6 milhões.
A federação une dois partidos que já possuem participação no governo federal e chefiam pastas na Esplanada. “União Brasil e PP sempre caminharam juntos na defesa de princípios como a responsabilidade fiscal, a geração de empregos, o fortalecimento da educação e da saúde, a valorização das cidades e a promoção do desenvolvimento econômico e social. Agora, mais alinhados do que nunca, teremos ainda mais força para seguir defendendo esses valores, tanto no Congresso quanto nos estados e municípios”, disse o prefeito de Salvador, Bruno Reis, que também participou do encontro.
Na Bahia, o impacto maior será sentido pelo PP, que é aliado do governador Jerônimo Rodrigues. Questionado sobre isso, o petista afirmou que está atento aos desdobramentos e pretende iniciar conversas com possíveis insatisfeitos dentro dos dois partidos. “Eu não posso falar nem pelo PP nem pelo União Brasil. Houve, sim, duas conversas fortes com o presidente Lula. Aguardei para ver o que aconteceria. A disciplina partidária acontece. Se Lula selasse um apoio com os dois partidos, aqui nós teríamos que conversar sobre a real situação, porque temos dificuldades com a União Brasil. Mas, se viesse de cima um acordo de programa, teríamos que sentar e discutir”, explicou.
“É muito mais difícil aqui na Bahia por conta de um dos líderes da União Brasil. Mas o PP já caminhou conosco. Os deputados do partido na Assembleia caminham conosco, o que facilita. Uma vez oficializada a federação, vamos aguardar qual será o movimento dos seis deputados. Espero que todos continuem na base. Se isso não for possível, veremos quantos permanecem. Fizemos o convite aos seis para que sigam alinhados na Assembleia e nas nossas caminhadas. Na política, se não der certo, a gente corre atrás para fortalecer a nossa ação. O mesmo vale para os federais”, concluiu.
Tribuna/Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados


