A Operação Patrocínio Indigno é um desdobramento da Operação El Patrón, realizada em dezembro de 2023
Por Vitor Silva
A Polícia Federal, em colaboração com a Receita Federal, o Ministério Público Estadual da Bahia e a Força Correcional Especial Integrada (FORCE), deflagrou nesta terça-feira (26), a Operação Patrocínio Indigno. O objetivo da ação é desmantelar uma organização criminosa envolvida em obstruir investigações da Operação El Patrón, iniciada em dezembro de 2023. Segundo as investigações, o grupo agiu sob a orientação de um advogado que, com a intenção de proteger um dos detidos, destruiu provas digitais essenciais para o caso.
Durante a operação, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva, um de prisão domiciliar, além de cinco mandados de busca e apreensão em Feira de Santana e Serrinha, cidades baianas. A ação seguiu decisão do Juízo da 1ª Vara Criminal de Feira de Santana.
À Tribuna da Bahia, o delegado da Polícia Federal, Geraldo Sérgio Silva, comentou sobre o impacto da destruição das provas digitais no andamento das investigações. “A eliminação de provas cruciais gerou um prejuízo incalculável, dificultando a continuação das apurações e a identificação de novos fatos ou envolvidos”, afirmou. O delegado também destacou que o impacto foi grande, mas não é possível avaliar com precisão o quanto afetou as investigações, pois as provas destruídas poderiam ter levado a novos caminhos investigativos.
Ele ainda alertou que o episódio pode não ter sido isolado, sugerindo que os envolvidos possam ter tomado outras medidas para ocultar mais evidências. “Não sabemos se os investigados adotaram outras estratégias para esconder ou destruir mais provas”, acrescentou.
O delegado também forneceu uma previsão de penas para os investigados, afirmando que os acusados podem ser condenados por envolvimento em organização criminosa, com penas que podem chegar até 8 anos de prisão. Ele classificou o crime como extremamente grave, com a intenção clara de beneficiar uma milícia criminosa integrada por vários agentes públicos. “Isso revela a relação dessa organização com instituições estatais, o que torna a investigação ainda mais relevante e exigente”, enfatizou o delegado.
A operação resultou na prisão de um policial militar, que já estava detido, mas recebeu um novo mandado de prisão, após as investigações indicarem sua participação na destruição das provas. O advogado, por sua vez, foi detido em sua casa, em Feira de Santana, e teve seu escritório alvo de busca e apreensão, acompanhado por um representante da OAB. Além disso, foi cumprido um mandado de busca na residência de outro investigado, que ainda não foi encontrado pelas autoridades.
A Operação Patrocínio Indigno é um desdobramento da Operação El Patrón, realizada em dezembro de 2023. Naquela operação, a Polícia Federal executou 10 mandados de prisão preventiva, 33 mandados de busca e apreensão, bloqueou R$ 200 milhões das contas dos investigados e sequestrou 26 propriedades, além de suspender atividades de seis empresas.
As investigações seguem em andamento, com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos nos crimes. Caso sejam condenados, os investigados poderão enfrentar penas somadas que ultrapassam 8 anos de prisão, refletindo a gravidade dos delitos.
Essa operação reforça o compromisso das autoridades em combater organizações criminosas, em especial aquelas que contam com a participação de agentes públicos, buscando garantir a justiça e a ordem social.
Foto: Divulgação/Ascom


