Implantação de batalhão e companhia especializados marca avanço na transformação da Força Terrestre
Por Marcelo Godoy, do Estadão
O Exército planeja criar duas unidades para operar drones de ataque e iniciar a transformação da Força Terrestre em razão da revolução do campo de batalha consolidada durante o conflito da Ucrânia. A primeira delas deve ser um batalhão que ficará no Comando Aviação da Força Terrestre, em Taubaté, e a segunda será uma companhia, localizada na 12.ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel), em Caçapava – ambas no vale do Paraíba, no interior paulista.
A iniciativa está dentro do planejamento estratégico para modernização do Exército, que incluiu até agora a transformação do 12.° Grupo de Artilharia de Campanha (12.º GAC) em artilharia antiaérea de média altura, em Jundiaí, a criação de uma companhia antitanque em Barueri, na Grande São Paulo, e outras unidades, segundo o conceito militar de antiacesso/negação de área. As unidades estão na área do Comando Militar do Sudeste (CMSE). A escolha da localização está ligada à facilidade de deslocamento rápido para qualquer ponto do País, como apoio às Forças de Emprego Estratégico da Força Terrestre.
Por enquanto, o Exército dispõe de drones usados para ações de reconhecimento e inteligência, como os sistemas de aeronaves remotamente pilotadas Nauru 1000, que estão em uso desde agosto de 2024. Com peso máximo de decolagem de 180 quilos, o Nauru opera por até oito horas consecutivas a uma velocidade de 110 km/h e tem câmeras de alta resolução para monitoramento aéreo diurno e noturno. Com 8 motores movidos a baterias independentes, ele faz decolagens e pousos verticais automáticos, inclusive em ambientes críticos e confinados.
O sistema, segundo a 7.ª Subchefia do Estado-Maior do Exército, “é inovador e permite um grande avanço na aquisição de alvos”. Responsável por propiciar a integração e a sinergia entre os cenários futuros, desenvolvimento tecnológico e atualizações doutrinárias, ou seja, a modernização e transformação da Força, a 7.ª Subchefia participou no começo do mês na Polônia da Conferência do Exército do Futuro, com representantes de outros 58 países da Europa, África e Ásia – só Brasil e Chile, da América do Sul, estiveram presentes.
Foram três dias em que só se falou em drone. Os militares tiveram palestras com oficiais da Ucrânia sobre lições apreendidas nas batalhas e demonstrações de fabricantes e de exércitos europeus de soluções para os desafios da nova tecnologia. “A utilização dos drones para fins militares está sendo um divisor de águas. Ele está sendo aquilo que foi a metralhadora, que mudou o caráter da guerra, no final do século 19”, informou a 7ª Subchefia.
Tribuna/Foto: Exército Brasileiro


