Boa parte dessas vagas devem chegar a Salvador, principalmente no setor da contrução civil
Por Hieros Vasconcelos Rêgo
O levantamento da Confederação Nacional de Indústria (CNI) que projeta a criação de 540 mil novas vagas no setor da indústria no Brasil até 2025 é tido com bons olhos para o setor. No entanto, na Bahia e em Salvador, a expectativa de especialistas é que, para que boa parte dessas vagas cheguem ao estado, haja uma aceleração em diversos segmentos que se estagnaram, a exemplo da construção civil, principalmente no que se refere às obras de habitação social (Minha Casa, Minha Vida), e de infraestrutura como rodovias, ferrovias e energia.
Realizado pelo Observatório Nacional da Indústria (ONI), núcleo de inteligência e análise de dados da CNI, e divulgado semana passada (18), o estudo aponta que as 540 mil vagas criadas até 2025 estão concentradas nas áreas de logística, construção civil, vestuário e energia. A projeção traz outro desafio para o estado: a qualificação profissional, uma vez que a maioria dos postos de trabalho (95%) serão do nível de qualificação e técnico.
A esperança é que o cenário na Bahia apresente mudanças rápidas na atração de investimentos e chegada de projetos, pois, até então, algumas projeções vão à contramão do crescimento previsto pelo estudo.
O gerente de Estudos Técnicos e do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Ricardo Kawabe, o que o setor na Bahia sente falta é de mais obras na área de infraestrutura como rodovias, ferrovias, energia. “É um lado que está enfraquecido e que podem ser reaquecido. Por enquanto, novos projetos não estão entrando para manter as empresa, mas o dado em si, da CNI, vejo como uma informação positiva e temos a perspectiva de abertura de muitas vagas nesses setores”, afirma.
Segundo ele, considerando o tamanho da economia baiana em relação ao país, “diria que temos uma parcela razoável dessas vagas previstas a serem criadas no país”, pontua.

As 540 mil vagas que serão geradas até 2025 estão concentradas em diversas áreas | Foto: Romildo de Jesus
Apesar da construção civil ter gerado mais empregos do que a indústria e agronegócio nos últimos meses juntos a nível nacional, conforme aponta o levantamento da CNI, o mesmo não aconteceu na Bahia e em específico Salvador, onde os saldos foram negativos: demitiu-se mais do que contratou. É o que afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Siduscon-Ba), Alexandre Landim.
“O dado publicado no Caged acumulado até maio mostra que Salvador e a Bahia tiveram mais demissões do que admissões; Nosso emprego reduziu. Levantamos o Custo Unitário Básico (CUB) da construção e mostrou uma deflação. Então, aqui, o setor está desacelerando”, declara.
No entanto, há desafios e expectativas para que a economia do setor de construção civil venha a ter um aquecimento na Bahia, como a chegada do Minha Casa Minha Vida, por exemplo, e um incentivo maior do governo federal para movimentar novamente o mercado imobiliário, aumentando lançamentos e vendas.
Landim explica que a desaceleração da construção civil na Bahia e em Salvador ocorreu, em suma, porque houve a entrega de um grande volume de obras. Tanto no Estado, quanto no município, as obras públicas foram concluídas e, agora, a perspectiva do setor é que novas obras surjam, retomando a alta do vetor.
“O que temos agora é uma expectativa grande para obras de habitação de interesse social, como o Minha Casa, Minha Vida. Pela última portaria publicada, diz-se que teremos 11,4 mil unidades habitacionais na Bahia. Se elas se confirmarem, vão ser o dobro do tamanho do mercado imobiliário em número de unidades”, declarou.
A prospecção do setor é que surja um novo ciclo de obras públicas e a queda da taxa de juros, para que o mercado imobiliário volte a ser atrativo para os investidores. Para o presidente do Sinduscon, o mercado imobiliário também não viveu expansão nos últimos meses, e muito desse cenário deve-se ao desincentivo federal e as taxas de juros.
“Há uma grande expectativa uqe a taxa de juros abaixe. O mercado imobiliário teve menos lançamento esse semestre de 2023 do que o mesmo semestre do ano passado. Temos aí uma redução do número de lançamentos. Um novo ciclo de obras públicas e a queda da taxa de juros pode ser atrativo para os investidores”, ressalta.
Alexandre Landim reforça: “Quem vai comprar apartamento com taxa de juros lá em cima? Não dá pra contratar financiamento com a taxa de juros lá em cima. É preciso redução das taxas de juros, incentivos e reduções da burocracia para novos empreendimentos imobiliários”. Diz.
Qualificação vai ser desafio a ser enfrentado na Bahia
Os quatro segmentos que juntos irão gerar 540 mil vagas até 2025 – construção civil, energia, vestuário e logística – são estratégicos para o país e tiveram uma rápida recuperação pós Covid. Mas também exigem qualificação: 95% dos postos serão do nível de qualificação e técnico, que exigem uma formação prática e mais curta, com seis meses a dois anos de duração. Esses setores têm um salário médio que varia de R$ 1,8 mil a R$ 6,6 mil.
Para Ricardo Kawabe, gerente de Estudos Técnicos e do Observatório da Indústria da Fieb, se por um lado é positivo porque a economia vai precisar desse quantitativo de postos de trabalho, ao mesmo tempo traz desafio quando se fala da Bahia; “Precisamos formar esses profissionais com esse perfil que as empresas e a nova economia demanda. A gente não pode formar o técnico da construção civil, do setor de vestuário, do transporte com a cabeça no passado, a gente precisa ajustar a essa nova realidade das empresas”, declarou.
Expansão – O levantamento da CNI projeta que a área de logística e transporte terá 2 milhões de trabalhadores até 2025 em todo o país. É uma das que mais empregam e mais crescem na economia, segundo os dados.
“Sendo responsável pelo transporte, armazenagem e distribuição de produtos e mercadorias, o profissional desse setor precisa lidar com o gerenciamento inteligente de todas as etapas, das compras e estoque à entrega dos itens”, diz o relatório.
Tribuna/Foto: Alberto Coutinho / GOVBA


