Com a crise geopolítica, o mundo deve receber um novo choque de pressão nos preços dos combustíveis e dos alimentos
Por Deborah Hana Cardoso
A crise internacional chegou em um momento em que o mundo não está nada bem, já que a pandemia da covid-19 contaminou também as políticas monetárias globais. Agora, com a crise geopolítica, o mundo deve receber um novo choque de pressão nos preços dos combustíveis e dos alimentos. E isso somado à inflação que permeia as potências, ainda em processo de retomada após os intensos lockdowns.
Para entender o impacto da crise, vale analisar primeiro o dólar. Com a aversão ao risco de uma guerra entre potências, o dólar comercial abriu o dia negociado a R$ 5. Às 14h10, registrava uma alta de 2,35%, negociado a R$ 5,12. A moeda ante o real vinha em uma tendência de queda desde 21 de fevereiro, quando fechou o dia cotado a R$ 5,10.
Outra alta importante foi a do petróleo. A Rússia é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (OPEP+) e 60% de sua economia dependem da commodity. Com a onfensiva, pela primeira vez, o tipo Brent foi negociado a US$ 100 (valor de referência internacional) e o WTI (referência americana) foi negociado a US$ 95,54.
Além dos combustíveis que devem encarecer se a ofensiva continuar em Kiev, os europeus também deverão se preocupar. A Rússia é responsável pelo financiamento de 40% do gás natural que chega ao continente — motivo de preocupação da França, Alemanha, Itália e outros.
Bolsas
Os mercados internacionais também sentiram o peso do ataque russo. Em torno das 14h12 (horário de Brasília), os principais índices globais caíam: o Ibovespa (índice brasileiro de referência) foi a 1,89%, negociado a 109.829 pontos; os americanos Dow Jones despencavam 2,20%, negociado a 32.420,71 pontos e o S&P, negociado a 1,27%; na Europa, o DAXX, da Alemanha, registrava queda de 3,96% e era negociado a 14,052,10 pontos, e o Euro Stoxx 50, da União Europeia, caía 3,64%, negociado a 3.828,96 pontos. Na Ásia, o Hang Seng de Hong Kong despencava 3,21%, negociado a 22.901,56. O índice russo MOEX caiu 30% desde o ataque.
Além do aumento no preço dos combustíveis, que deve surtir um efeito cascata nos alimentos e outros bens de consumo, aumentando a pressão inflacionária global em meio à retomada econômica, há o trigo. A commodity é sensível ao conflito já que Rússia e Ucrânia, juntas, produzem 14% do trigo global e fornecem 29% de todas as exportações do cereal. O Brasil é um dos maiores importadores do mundo.
Fonte: Correio Braziliense/Foto: Romildo de Jesus


