“De acordo com levantamento da Fecomércio-BA, com base nos dados do IPCA, a cesta de inflação para o Dia dos Pais cresce 1,28%, nos últimos 12 meses, enquanto a média da região de Salvador avança quase 4%
Por: Lívia Veiga
Um conjunto de fatores econômicos leva o varejo baiano a projetar aumento de até 8% nas vendas para o Dia dos Pais, em relação ao mesmo período do ano passado, quando foi registrado recuo de até 6,2%. Segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA) apontam que o otimismo de setores que possuem alguma relação com a data comemorativa, especialmente, o grupo “outras atividades”, que inclui lojas de artigos esportivos, materiais para escritório, joalherias, lojas de chocolates, e que prevê alta de 12% em vendas, em relação a agosto do ano passado.
Na sequência, a entidade destaca o segmento de vestuário que, em agosto deste ano, tem um crescimento projetado de 9%, além do de eletrodomésticos e eletrônicos, com desempenho esperado de 8% no mês dos pais. Como explica Guilherme Dietze, consultor econômico da Fecomércio-BA, um conjunto de fatores contribui para o cenário favorável: um primeiro semestre em que as datas comemorativas apresentaram resultados positivos em vendas; preços mais modestos; e o mercado de trabalho aquecido.
“De acordo com levantamento da Fecomércio-BA, com base nos dados do IPCA, a cesta de inflação para o Dia dos Pais cresce 1,28%, nos últimos 12 meses, enquanto a média da região de Salvador avança quase 4%. Ou seja, há uma queda relativa nos preços”, explica o especialista. Os produtos eletroeletrônicos, portanto, apresentam maiores quedas de preços, puxados pelo aparelho de telefone (-10%), seguido de televisor (-7,78%) e computador pessoal (-5,41%).
Dentre os produtos preferidos para presentear os pais, a bicicleta (-8,87%) e o relógio de pulso (-5,08%) e os tênis (-2,25%) também estão, em média, mais baratos do que no ano passado. Já quanto aos artigos de vestuário e calçados, os preços estão acima dos praticados em 2023, com destaque para a camisa masculina (7%), o sapato masculino (5,05%), calça masculina (3,31%) e bermuda masculina (1,39%).
Porém, Dietze alerta: “é sempre importante ressaltar que se trata de preços médios e não que todos os produtos estão em queda. Pode ser que o consumidor
esteja de olho num televisor mais moderno, último modelo e que tenha subido de preço de um ano para cá”. Outro ponto analisado é o de que o setor de serviços também se beneficia com a chegada do Dia dos Pais, pela forte demanda nos bares e restaurantes.
Lojistas estão cautelosos
Por outro lado, o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas-BA), que representa 90% do segmento do varejo no estado e em Salvador, traça um cenário de cautela quando o assunto é projeção de crescimento de vendas para este mês de agosto. Segundo o presidente da entidade, Paulo Motta, isso se dá pela instabilidade econômica que o país atravessa.
Ele cita entraves relacionados à área fiscal, relacionados à desoneração do custo do trabalho por parte do governo, que influenciariam na expectativa dos negócios. No entanto, Motta reconhece a importância do mês de agosto para o varejo, o quarto mês quarto mês de crescimento econômico para atividade varejista.
“Nós temos uma projeção mais acomodada, de crescimento médio de 3% e se destacando os produtos do seguimento masculino. De qualquer maneira, trata-se de ter uma data importante, em que o empresário lojista tem expectativa de atender a essa demanda dirigida ao setor masculino”, afirma, acrescentando que o setor espera um consumo médio, per capta, de R$ 250.
O Sindilojas informa ainda que não há perspectiva de geração de emprego, pois o contingente que está ocupando as vagas de trabalho de maneira formal atende à expectativa de demanda. “A nossa expectativa de crescimento de geração de emprego é a partir de outubro, visando as vendas de fim de ano”, completa.
Tribuna/Foto: Divulgação/Internet


