Segundo o IBGE, nos últimos 12 meses até abril, as passagens subiram 14,25%, índice maior que o IPCA, a inflação oficial do país, no mesmo período, de 12,13%
Por Raphaela Ribas e Letycia Cardoso
As passagens aéreas não param de subir. Se o consumidor pensa duas vezes antes de programar uma viagem, a situação é mais sensível para as empresas, que habitualmente pagam bilhetes mais caros pela flexibilidade para remarcações e por compras sem muita antecedência. No momento em que as companhias suspendem restrições sanitárias e tentam retomar os encontros de negócios, a disparada de preços está limitando as viagens a trabalho.
A alternativa nas empresas para cortar custos tem sido apelar para eventos híbridos, viajar de carro ou ônibus, comprar passagens com ao menos um mês de antecedência e até optar por voos compartilhados em jatinhos particulares, uma espécie de Uber aéreo autorizado recentemente pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Segundo o IBGE, nos últimos 12 meses até abril, as passagens subiram 14,25%, índice maior que o IPCA, a inflação oficial do país, no mesmo período, de 12,13%.
Essa alta não vem de agora. De acordo a Anac, entre 2020 e 2021, o preço médio da passagem de avião no país subiu 19,3%. Em fevereiro deste ano, último dado disponível, o valor médio foi de R$ 492,65, alta de 8,6% em relação ao mesmo mês em 2021. Em janeiro, na mesma métrica, o salto foi de 20%.
André Braz, economista da FGV, explica que as pesquisas têm como base passagens compradas para turismo, com antecedência. A inflação nos bilhetes corporativos pode ser ainda maior, porque são geralmente adquiridos perto da viagem ou com urgência.
O sócio da PGC Engenharia, Paulo Guilherme Cabral, que precisa ir de Curitiba a Porto Alegre três vezes por mês, passou a comprar passagens aéreas com antecedência ou ir de carro ou ônibus leito. O engenheiro, que faz o trecho há dez anos, observa outro fator:
— Antes, três companhias operavam no trecho. Agora, só uma. Estamos comprando três meses antes. É melhor cancelar do que tentar em cima da hora. Eu pagava uns R$ 500 e agora chega a R$ 5 mil.
Fonte: O Globo/Foto: Will Recarey/Divulgação


