Investidores temem que a manobra no teto abra caminho para o descontrole das contas públicas
A Bolsa chegava a tombar mais de 4% ontem, o dólar subia acima de R$ 5,66, após o governo Jair Bolsonaro (sem partido) acertar uma mudança no teto de gastos para abrir um espaço de R$ 83,6 bilhões para despesas adicionais em 2022, ano em que o presidente da República buscará sua reeleição. O temor de investidores é que a manobra no teto abra caminho para o descontrole das contas públicas. Por volta das 16h, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, operava em baixa de 2,99%, atingindo 107.478,35 pontos. O dólar comercial subia 1,95%, negociado a R$ 5,669 na venda.
O mercado já operava no negativo ao logo do dia, mas o dólar passou a subir mais e a queda da Bolsa se acentuou depois que saíram notícias sobre o acordo. Por volta das 15h, a Bolsa chegou a registrar queda de 4,45%. O acordo, fechado entre as alas política e econômica do governo, após dias de embates, vai viabilizar o pagamento de R$ 400 aos beneficiários do Auxílio Brasil, determinado por Bolsonaro. Antes, o mercado já reagia a declarações dadas ontem pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que falou em “licença para gastar R$ 30 bilhões fora do teto” para bancar um benefício de R$ 400 em 2022, ano em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentará a reeleição.
O teto de gastos, que congela os gastos públicos, é uma regra constitucional criada no governo Michel Temer. A mudança na regra do teto deve ocorrer por meio da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) dos precatórios, em tramitação na Câmara. A previsão que é que a PEC seja votada na comissão especial hoje.
A proposta que está na mesa e que deve ser validada com o presidente é mudar a fórmula do teto, que hoje é corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até junho do ano anterior ao de sua vigência. A ideia é adotar a correção da inflação de janeiro a dezembro. Só essa mudança proporcionaria uma folga extra de R$ 40 bilhões.
Fonte: Uol/Foto: Reuters/Mike Segar/Direitos Reservados


