Arthur Virgílio criticou o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), e chamou de “desastre” a política ambiental atual.
Por Rodrigo Daniel Silva
Na disputa das prévias presidenciais do PSDB, o ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, desembarcou, neste final de semana, em Salvador para um encontro com tucanos baianos. Em solo baiano, o tucano manauense, em entrevista à imprensa, criticou a possível aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para competir pelo Palácio do Planalto em 2022.
De acordo com a imprensa nacional, Alckmin tem sido sondado para ser o vice do petista. “Eu acho que é uma coisa tola. Acho que prejudicaria os dois. Não seria uma coisa boa nem para Lula nem para o Alckmin. Eu, se fosse Alckmin, não faria isso. E, se fosse o Lula, não queria o Alckmin por perto. Mas é problema deles”, declarou Virgílio. Na semana passada, Alckmin, que deve deixar o PSDB nos próximos dias, não descartou a possibilidade de integrar a chapa de Lula. Disse que ficou “honrado” por saber que seu nome foi ventilado. “Já disseram que vou ser candidato ao Senado, a governador, a vice-presidente. Vamos ouvir. Fico muito honrado pela lembrança do meu nome”, disse ele, acrescentando que vai “amadurecer conversando”.
Ainda em Salvador, Arthur Virgílio criticou o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), e chamou de “desastre” a política ambiental atual. “É um desastre. A impressão que dá é que ele é contra a Amazônia, contra a floresta em pé. Ele colocou Ricardo Salles, que era ministro do Meio Ambiente, e era ligado a grupos que queriam fazer pastagem no coração da Amazônia. A terra é frágil e não aguenta. Seria um prejuízo para o agronegócio, que perderia o seu capital, e seria um para a Amazônia que perderia milhões na biodiversidade. (…) Então, é um governo que não tem projeto para a economia brasileira, não tem projeto para uma política ambiental, não tem projeto para o Nordeste. O projeto dele é passar um dinheirinho para ver se melhora a posição eleitoral dele. Ele falha em tudo que é essencial, por falta de preparo mesmo. Ele não é uma pessoa preparada. Ele era um deputado medíocre”, ressaltou.
O ex-prefeito de Manaus reforçou que votou no ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), na disputa à Presidência de 2018 contra Bolsonaro, mesmo o petista não sendo seu candidato ideal. “Eu conheço o Haddad. Foi meu colega prefeito. É uma pessoa boa, e sei que não é doido. É uma pessoa equilibrada, e tem coisas boas para dar. Eu não estava votando no meu candidato ideal. Eu estava votando no meu candidato possível. Eu não hesitei. Eu saí de casa para votar no Haddad”, pontuou.
Virgílio descartou a hipótese de desistir das prévias do PSDB, apesar de ser considerado o azarão. “Não (desistirei), de jeito nenhum. Vou até o final. Já caminhamos muito”, assegurou. O governador de São Paulo, João Doria, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, são vistos como favoritos para representar o partido na corrida ao Palácio do Planalto em 2022.
Tribuna/Foto: Pedro França/Agência Senado


