Dia Mundial de Conscientização da doença é comemorado em 26 de março e vem para desfazer mitos sobre as manifestações nos pacientes
Por Lily Menezes
Era apenas mais um início de manhã de trabalho para o técnico de atendimento avançado Joselito Paim, 57, quando uma perda súbita de consciência no banho o levou para uma Unidade de Tratamento Intensivo, onde ele passou um mês internado. Depois de exames neurológicos, ele foi diagnosticado com epilepsia. “Eu simplesmente apaguei do nada e caí no chão do banheiro. Minha esposa disse que me segurou pra não bater a cabeça e me levou para o médico, porque eu continuava me debatendo. Já tinha tido uns desmaios, mas não imaginava que fosse por causa disso”, disse Paim.
Para informar a população e desfazer mitos a respeito das formas de apresentação dos sintomas epiléticos, é comemorado no dia 26 de março o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia. Saber como agir ao presenciar uma crise é de extrema importância quando se está com uma pessoa com epilepsia: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de morte prematura para epiléticos é até três vezes maior do que entre a população geral. “Em muitos casos, a falta de conhecimento sobre como identificar a doença e como lidar com ela contribui para essa realidade”, diz o neurologista Marcos Soares, da assistência Vitalmed.
O especialista explica que a epilepsia tem como sua principal causa uma lesão cerebral traumática, que pode ou não estar presente desde o momento do nascimento. Outras condições que podem ocasionar a doença são infecções como meningite ou encefalite, e a ocorrência de Acidente Vascular Cerebral (AVC, popularmente conhecido como derrame). Apesar da crise convulsiva fazer parte das manifestações de epilepsia, o paciente pode ter outros sinais, como crises de ausência (parar o que está fazendo de forma súbita), crise parcial simples (com movimentos descontrolados de uma parte do corpo específica), e parcial complexa (com perda de consciência).
“Há casos brandos em que a pessoa fica por algum tempo sem manter contato visual, com olhar fixo, e talvez por isso sejam situações que o familiar ou alguém que presencie não saiba o que está ocorrendo”, pontua Soares. Sem o auxílio adequado, os pacientes epiléticos possuem maior chance de desenvolver depressão ou ansiedade, com aumento dos episódios de convulsões e queda considerável na qualidade de vida por causa do estigma carregado pela doença. Ainda segundo a OMS, de 30 a 40% das crianças diagnosticadas com epilepsia tiveram problemas na aprendizagem e no desenvolvimento, o que torna o cotidiano difícil para o paciente e sua família. “Campanhas públicas e ações em escolas ajudariam a disseminar informações para que familiares e quem mais tiver contato com uma pessoa em crise saibam como agir”, acredita o neurologista.
Cuidados
Durante a crise, deve-se deitar o paciente de costas em um lugar seguro para evitar quedas e lesões, providenciando um apoio macio para a cabeça a fim de evitar sufocamentos, e erguer o queixo para facilitar a passagem de ar. Não se deve controlar os movimentos da pessoa, pois faz parte do episódio e pode piorar a situação. O familiar ou pessoa próxima deve permanecer por perto até o término da crise; se ela levar mais do que cinco minutos, é importante procurar ajuda médica.


