A programação oficial prevê sete painéis temáticos e momentos de networking, incluindo dois temas inéditos: aviação e mineração
Por Hieros Vasconcelos
O anúncio da 2ª edição do Fórum Estadual de Logística, Infraestrutura e Transportes — Bahia Export 2025 — foi o motivo da visita do secretário-executivo do evento, Fausto Franco, à Tribuna da Bahia, na manhã de ontem, com a presença do presidente do jornal Walter Pinheiro. Marcado para os dias 14 e 15 de agosto, na sede da FIEB, o fórum chega em um momento em que a Bahia ocupa posição de destaque na cena federal e pode, segundo Franco, aproveitar um “trem que está passando” para acelerar investimentos e resolver gargalos históricos. O evento é promovido pelo grupo Brasil Export.
A abertura está marcada para às 9h, com o Inova Export — espaço dedicado a startups e soluções tecnológicas para o setor — seguido por painéis sobre cultura exportadora, transporte aéreo e infraestrutura portuária. Nessa data, marcam presença Carlos Henrique Passos (FIEB), Cláudio Vilas Boas (Consórcio Ponte Salvador-Itaparica), Wanger Rocha (Banco do Nordeste) e Flávio Roman, Secretário-Geral da AGU. No segundo dia, se destacam Luiz Gavazza (Bahiagás), Marcus Cavalcanti (PPI) e as falas mais aguardadas de Rui Costa, Ministro da Casa Civil, e Flávio Dino, Ministro do STF, que abordará os impactos da reforma tributária, incluindo perguntas da plateia.
Para Franco, a iniciativa acontece em um momento raro de protagonismo político para a Bahia, com nomes de peso ocupando cargos estratégicos no governo federal — como Rui Costa, ministro da Casa Civil, Margareth Menezes, ministra da Cultura, e parlamentares como Otto Alencar, Jaques Wagner, Paulo Azi e Antônio Brito em posições-chave no Congresso Nacional. “Se a gente não aproveitar esse trem, talvez nunca mais tenha uma oportunidade igual”, afirmou.
A programação oficial prevê sete painéis temáticos e momentos de networking, incluindo dois temas inéditos: aviação e mineração. A malha aérea restrita, especialmente no interior, é vista como entrave para integrar polos produtivos à capital. “Hoje, cidades como Luís Eduardo Magalhães e Barreiras têm mais conexão com Brasília do que com Salvador. Isso dificulta negócios, encarece custos e afasta a capital de regiões estratégicas”, destacou Franco. Sobre mineração, ele lembrou que a Bahia é o terceiro maior produtor mineral do país, com diversidade e riqueza únicas, mas ainda pouco conhecidas fora do setor.
“A Bahia é reconhecida como um dos principais estados produtores de minerais do país — posição que estudos e relatórios recentes confirmam, o fórum trará debatedores do setor, entre eles representantes da CBPM, Atlantic Nickel e Galvani”, pontuou. A discussão incluirá oportunidades ligadas à transição energética (minerais críticos para baterias e insumos) e impactos socioambientais a serem geridos.
Durante a conversa, Franco ressaltou que a ideia do Fórum é pôr no mesmo palco autoridades e executivos para traduzir interlocução política em projetos concretos que impulsionam o PIB estadual e a competitividade das cadeias produtivas locais. Dados oficiais do governo do estado apontam que o PIB baiano cresceu 2,8% em 2024, informação usada por gestores e empresários para justificar a ambição de nova etapa de investimento e planejamento.
Fausto Franco informou que 23 empresas baianas já confirmaram apoio e participação no evento, entre patrocinadores renovados e novos parceiros — um envelope que inclui players de aviação, energia, portuário e mineração. Entre os nomes citados pelo
secretariado e pela organização estão Abaeté Aviação, Acelen, Bahiagás, Wilson Sons, Atlantic Nickel, CBPM, Veracel, Intermarítima e outras empresas com forte presença no estado, sinalizando um mix de setores que vai do agronegócio à energia e à indústria extrativa. (Lista e programação constam do material de divulgação do fórum).
Abertura — O painel “A cultura exportadora da Bahia e ações para promover a produção local no mercado internacional” abre os debates na tarde do dia 14 de agosto, às 14h, com a participação de Fabiano Borré, CEO da Fazenda Progresso, Mônica Burgos, sócia-fundadora da Avatim, Moisés Schmidt, presidente da Associação de Produtores e Irrigantes da Bahia, e Pablo Barrozo, secretário baiano de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri-BA).
Logo depois, às 15h, o tema “Os desafios para a expansão do transporte aéreo no estado da Bahia” reunirá Tiago Tosto, sócio da Abaeté Aviação, Júlio Ribas, CEO da Vinci Airports no Brasil, Wanderley Galhiego Júnior, diretor de Relações Institucionais da Socicam e Adriano Miranda, secretário de Infraestrutura do Estado da Bahia (Seinfra-BA).
No mesmo dia, às 17h10, outro ponto alto da programação é o painel “Panorama e perspectivas da infraestrutura portuária da Bahia”, com Roberto Oliva, presidente da Intermarítima, Helano Pereira, vice-presidente executivo da Ultracargo, Antônio Gobbo, diretor-presidente da Companhia Docas da Bahia (Codeba) e Maria Eduarda Lomanto, secretária do Mar da Prefeitura de Salvador.
Fórum vai pôr em pauta o tarifaço de Trump e discutir soluções com setores
O impacto do aumento tarifário dos Estados Unidos — batizado por participantes como “tarifaço de Trump” — será abordado em painel específico e apresentado por Carlos Henrique Passos, presidente da FIEB. O presidente da Federação esteve reunido no início de agosto com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes da indústria baiana, de onde saiu um grupo de trabalho e diversas articulações para serem propostas ao governo federal.
Nas palavras do secretário-executivo do Bahia Export, Fausto Franco, as medidas protecionistas americanas têm efeito duplo: fragilizam os exportadores brasileiros e, na visão do secretário, podem até prejudicar consumidores e indústrias dos EUA ao encarecer insumos. “Eles vão encarecer o produto final para os próprios americanos. Não precisa ser economista para saber isso”, afirmou durante a Tribuna. O tema tem relevância imediata para cadeias como celulose, papel e básicas de insumos.
O presidente Walter Pinheiro também concordou que o Brasil precisa buscar uma negociação inteligente. “Evitando medidas protecionistas que só prejudicam o comércio e o desenvolvimento. Ao invés de retaliações imediatas, devemos focar em soluções diplomáticas e fortalecer nossa competitividade, sobretudo investindo em infraestrutura e inovação para ampliar nossa presença no mercado internacional”, ressaltou.
O presidente da Tribuna destacou, ainda, a importância da segurança jurídica para atrair investimentos e assegurar decisões de longo prazo: “Aqui no Brasil, até o passado é incerto. Isso assusta investidores e dificulta decisões de longo prazo. O mercado precisa de previsibilidade para apostar”, afirmou. O recado, dado por muitos empresários, deve ecoar na programação do fórum, com painéis envolvendo AGU, PPI e representantes do Judiciário, incluindo a presença do ministro Flávio Dino no painel Judiciário e economia.
A previsibilidade regulatória estará no centro dos debates sobre concessões, PPPs e contratos de logística. Para Pinheiro, “A falta de estabilidade impede o desenvolvimento. Quando alguém pensa em investir no Brasil, fica na dúvida se vai conseguir garantir a segurança jurídica”. Diante disso, Walter ressaltou a necessidade urgente de mudanças: “Temos que dar uma chacoalhada nesses atores para que a Bahia seja o puxador disso, aproveitando o momento político favorável do estado”.
Aviação e infraestrutura: BR-324, BR-101 e a Estrada do Derba em destaque no Bahia Export
O Bahia Export 2025 também discutirá a infraestrutura portuária e gargalos históricos, como a BR-324 e a Estrada do Derba, por onde circulam milhares de toneladas de produtos agrícolas e industriais.
Um dos pontos mais repetidos por Franco na conversa com a Tribuna foi a necessidade de obras e planejamento de alto impacto para escoamento e logística. Ele citou a BR-324 como exemplo de estrada que não evoluiu (“é uma estrada da década de 70”) e disse que a solução não é apenas uma terceira faixa, mas pensar em vias paralelas e projetos de longo prazo. A BR-101 também entrou na análise: trecho sem duplicação e pontos críticos que afetam a circulação entre polos.
Outro foco é a chamada Estrada do Derba, via estratégica por onde passam insumos e saídas de carga — fertilizantes, soja e produtos do oeste baiano — e que, conforme Franco, opera hoje com capacidade saturada e precisa de intervenções urgentes. O diagnóstico do secretário aponta para contratos de concessão mal estruturados e falta de manutenção que sinalizam a necessidade de novo desenho institucional e de projetos via PPI (parcerias público-privadas/iniciativas de investimentos).
Aviação — A malha aérea restrita foi outro ponto pioneiro na grade do fórum. Franco observou que cidades como Luís Eduardo Magalhães e Barreiras têm hoje mais ligação com Brasília que com Salvador, o que fragiliza integração comercial, de serviços e de saúde. Conforme a programação do Bahia Export, o painel sobre aviação reunirá representantes da Abaeté Aviação, Vinci Airports, Socicam e ANAC para discutir soluções de conectividade regional que possam reduzir custos logísticos e aproximar cadeias produtivas do mercado interno e internacional. (HV)
Fórum pode ser exemplo no país e reverberar positivamente no Nordeste
De acordo com o secretário-executivo Fausto Franco, a proposta dos organizadores é que o Bahia Export ultrapasse a dimensão regional e sirva de modelo replicável no Nordeste, ajudando a transformar a vocação econômica do estado em alavanca para cadeias produtivas na região.
“Não é só falar de gargalos, é propor soluções viáveis, integrar o setor produtivo ao poder público e mostrar que a Bahia pode ser referência nacional em logística e infraestrutura. A Bahia está para o Nordeste como São Paulo está para o Brasil”, resumiu Fausto Franco. Conforme ele, a intenção sintetiza o tom pragmático do fórum.
A expectativa dos organizadores é que os dois dias na FIEB não apenas produzam diagnósticos, mas acordos e encaminhamentos possíveis de serem operacionalizados em prazos concretos, com participação ativa de empresas e órgãos federais.
“Com uma economia que vem consolidando crescimento e com posição relevante no setor mineral e no agronegócio, a Bahia busca converter representatividade política em projetos que impactem PIB, geração de empregos e atração de investimentos”, explica.
Formato — Além dos painéis técnicos, o Inova Export (abertura do fórum) pretende trazer startups e soluções tecnológicas para enfrentar problemas práticos — desde rastreabilidade até soluções de multimodalidade.
A combinação de autoridades federais, com destaque para Rui Costa, que fará a apresentação de encerramento sobre o novo PAC, representantes de agências reguladoras, operadores portuários, empresas aéreas e investidores cria um ambiente para propostas concretas: projetos de engenharia, concessões, linhas de financiamento e ações para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade baiana no comércio exterior.
Tribuna/Foto: Divulgação/Reprodução


