Psicóloga fala sobre a importância da rede de apoio para as mães e da saúde mental materna
Por Quézia Silva
Ela é sinônimo de abrigo, carinho, força e paciência. Da mesma maneira que corrige também ama. De primeira, de segunda ou de terceira viagem, o que há de mais importante na vida de uma pessoa são as mães. Desde a descoberta da gestação já existe um carinho especial com o filho. Muitas vezes, preocupam-se mais com eles do que com elas mesmas. Isso é amor de mãe. Mas muitas dessas mulheres, que são símbolos de força e resistência, não são assim a todo momento. Principalmente no início da gestação, muitas mulheres precisam de uma rede de apoio especial e uma saúde mental equilibrada para enfrentar a nova fase.
Segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI), em 2022 cerca de 175 mil mulheres tornaram-se mães. Dessas gestações nasceram mais meninos que meninas. A cada 100 nascimentos de meninas, nasceram 104 meninos. Sobre os partos, 52% deles foram normais. Referente a faixa etária das mães, 40,2% das mulheres que tiveram filhos ano passado tinham entre 20 e 29 anos; já 37,8% tinham 30 anos ou mais e 13,9% das mulheres tinham até 19 anos. Aproximadamente 1.300 mães eram menores de 14 anos.
Independente de qual seja a idade, é fundamental que as mães sintam-se acolhidas e apoiadas, pois existem mulheres que sentem que não têm capacidade de lidar com a maternidade. Daniele Nascimento de Amorim é pedagoga, tem 25 anos e há 5 teve o pequeno Arthur. Ela conta como foi a experiência no início da maternidade e o quão importante foi receber apoio dos que a cercam. “A experiência foi positiva em vários aspectos, mas após o nascimento foi um momento desafiador por ser uma vivência que não fazia parte do meu cotidiano: cuidar de alguém. Ainda assim, me senti acolhida, amada, e mimada demais principalmente por Marcelo, pai do Arthur. Tive uma gestação tranquila e cercada de amor”, declarou.
A psicóloga obstétrica Geiza Dantas fala sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na maternidade. “Sempre pensamos no ‘instinto materno’, mas isso não existe. A mulher só aprende a ser mãe quando ela vira uma mãe. A cada dia ela vai aprendendo a lidar com seu bebê, esse vínculo vai sendo construído dia após dia. Talvez a maior dificuldade de uma mãe jovem, por exemplo, é se ela se preparou para esse momento”, explicou.
Muitas mulheres que optam por ser mães são julgadas, principalmente se forem mães jovens. Além disso, quando se trata de um contexto social difícil, muitas meninas quando descobrem a gravidez, desistem dos estudos para se dedicarem aos filhos e a lidar com a nova fase. E muito depois da gestação, elas não têm mais perspectiva de vida. Na contramão dessa estatística, Daniele diz que não adiou os planos para o futuro, mas que precisou trilhar outros caminhos. “Meus planos não foram adiados não, mas tive que mudar a rota. Troquei a faculdade presencial para online porque não tinha com quem deixá-lo. Não foi fácil, mas eu consegui concluir, hoje estou fazendo pós”, disse.

Uma gravidez não planejada pode ser mais difícil | Foto: Romildo de Jesus
Elas que sempre colocam os filhos em primeiro lugar, lhes dando incentivo, educação e respeito, também precisam ser cuidadas. Zelar pela saúde física e também mental é imprescindível para qualquer pessoa, especialmente para as mães. Geiza Dantas explica sobre a importância desse ato. “A saúde mental materna é importante não somente para mãe jovem, como para mãe solo, como para qualquer mulher que está passando pela maternidade. São muitas mudanças psicológicas, hormonais e físicas. Então uma saúde mental equilibrada vai ajudar nesse processo. Quando uma mãe jovem ou mãe solo tem uma rede de apoio boa, isso é ótimo. O cuidado com a saúde mental materna é essencial para que ela exerça sua maternidade com equilíbrio e organização”, esclareceu.
Por fim, a mãe do pequeno Arthur, Daniele Amorim fala o significado de ser mãe: “É um misto de sentimentos, é amar alguém mais do que a si mesma. É ser forte e se sentir forte quando tudo parece não se encaixar. É amar cada gesto de carinho e de afeto, é a certeza de um amor verdadeiro, mesmo com todas as dificuldades e desafios que a maternidade pode proporcionar”, concluiu.
Mãe-profissional: desafios da maternidade e carreira
A maternidade real é um dos temas que tem ganhado visibilidade por meio de compartilhamento de experiências, principalmente em redes sociais, sobre todas as mudanças e desafios vividos pelas mulheres. No âmbito profissional, as mães são as primeiras a serem impactadas: dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio/IBGE do quarto trimestre de 2021 mostram que, quando nasce o filho, a taxa de participação da mulher no mercado de trabalho cai expressivamente, de 48% para 21,5%. Após o nascimento, a participação feminina aumenta, porém, permanece inferior a 40% até quase cinco anos de idade da criança.
Diante deste cenário, as empresas começaram a ter um olhar mais empático para essas mães no mercado de trabalho, oferecendo apoio e oportunidades como forma de reconhecer e incentivar seu desenvolvimento profissional. Contribuir para aumentar a presença das mulheres, sobretudo em cargos de liderança, tem se tornado uma pauta relevante e em sintonia com as tendências mundiais e de equidade.
Andréa Gomes está há 14 anos na Cencosud Brasil, uma das maiores supermercadistas do país. Formada em Pedagogia, ao longo da sua carreira, ela foi gerente administrativa de loja, analista e consultora de Recursos Humanos. Mas faltava algo em sua vida: realizar o sonho de ser mãe. Após diversas tentativas desde 2004, ela e o marido se submeteram a um tratamento de fertilização e, em 2017, às vésperas de completar 39 anos, conseguiu o que tanto desejava. Para a felicidade do casal, a alegria veio em dose dupla: seriam pais de gêmeas.
Movida pelo desejo de compartilhar sua experiência com outras pessoas, Andréa escreveu o livro A casa dos Leões: Uma jornada contra a infertilidade, que aborda este percurso repleto de dúvidas, incertezas, medos, descobertas, expectativas e, sobretudo, fé e amor. “Não é fácil conciliar maternidade e carreira, mas quando fazemos o que amamos, sempre vale a pena! Minhas filhas estão com 5 anos e já entendem o quanto o trabalho é importante para mim”, conclui.
Roberta Ferreira também viveu a alegria de iniciar uma família e se sentir reconhecida e valorizada no trabalho. Ela ingressou na multinacional em 2018 como negociadora de importados. Em 2022, celebrou o casamento, sua primeira gravidez e, no oitavo mês de gestação, foi surpreendida com a notícia que seria promovida a gerente de Importação. “A realidade do mercado nem sempre é tão colorida para mães em fase de gestação e puerpério. Desde o princípio senti o acolhimento da Cencosud em relação à minha maternidade, o que me trouxe segurança para enfrentar os desafios dessa nova fase na vida pessoal e profissional, sem negligenciar nenhuma delas”, relata.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


