O desempenho coloca a capital baiana entre as quatro cidades com inflação mais controlada do país, atrás apenas de Rio Branco (2,52%), Campo Grande (2,74%) e Rio de Janeiro (2,78%) no acumulado de 2025
Por Hieros Vasconcelos
Salvador viveu em outubro uma leve trégua no custo de vida, após anos marcados por oscilações nos preços e pressões no orçamento doméstico. Divulgado ontem pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — indicador oficial da inflação — ficou em 0,06% na Região Metropolitana de Salvador (RMS), o menor resultado para o mês em mais de uma década e um dos índices mais baixos do Brasil.
O desempenho coloca a capital baiana entre as quatro cidades com inflação mais controlada do país, atrás apenas de Rio Branco (2,52%), Campo Grande (2,74%) e Rio de Janeiro (2,78%) no acumulado de 2025. No mesmo período, a média nacional foi de 3,73%, enquanto a RMS registrou avanço de 3,17%. Em 12 meses, a inflação local está em 4,39%, também abaixo do índice nacional (4,68%).
Apesar do alívio nos preços gerais, o transporte urbano continua sendo o principal fator de pressão sobre o orçamento das famílias soteropolitanas. A alta da gasolina (1,35%) e do transporte por aplicativo (4,72%) manteve o setor como um dos mais caros da cidade, refletindo diretamente no custo diário de deslocamento. Somado às passagens aéreas (3,03%), o grupo transportes (0,49%) foi o que mais pesou sobre o IPCA de outubro.
Na prática, o cenário revela uma contradição típica das grandes capitais: enquanto alimentos e energia aliviam as contas, a mobilidade urbana segue como gargalo do custo de vida. “Mesmo com a inflação controlada, o transporte ainda é o grande vilão, porque encarece o trabalho, o lazer e o acesso aos serviços”, avaliam economistas ouvidos pelo IBGE.
Entre os grupos pesquisados, o que mais ajudou a frear a inflação foi o de alimentação e bebidas, que teve queda de -0,47% em outubro — o quinto mês consecutivo de redução. O recuo é resultado da boa oferta de produtos agrícolas e da desaceleração dos custos de transporte e insumos.
Os maiores destaques ficaram por conta da banana-prata (-6,76%), cebola (-10,60%), batata-inglesa (-8,75%), alho (-6,90%) e arroz (-1,81%), itens que ficaram mais baratos e aliviaram o orçamento das famílias. Até a alimentação fora de casa (-0,17%) apresentou leve retração, movimento que contribuiu para conter o índice geral.
Outro grupo que ajudou a segurar os preços foi o de habitação (-0,32%), com destaque para a energia elétrica residencial (-1,54%), reflexo de revisões tarifárias e melhores condições de geração. Essa combinação de fatores tornou o mês de outubro o mais estável em termos de preços desde 2014.
Por outro lado, o setor de vestuário (0,64%) e despesas pessoais (0,52%) registrou aumentos, impulsionados pelo início do movimento de fim de ano no comércio. Segundo o IBGE, o comportamento indica aquecimento moderado do consumo e antecipação de compras por parte das famílias.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, também mostrou estabilidade. Na RMS, o indicador ficou em -0,01%, após alta de 0,16% no mês anterior. O resultado foi inferior à média nacional (0,03%) e reforça o cenário de alívio no orçamento das famílias populares, especialmente nos itens básicos.
No acumulado do ano, o INPC de Salvador chega a 3,09%, e em 12 meses, 4,27%, ambos abaixo da média do país. De acordo com o IBGE, a sequência de quedas nos alimentos e a redução nas tarifas de energia foram determinantes para o bom desempenho — mas o custo do transporte continua impedindo que o alívio no bolso seja mais duradouro.
Tribuna / Foto: Ascom Semob


