Com esse peso fixo no orçamento, sobra pouco espaço para imprevistos ou ajustes
Por Rayllanna Lima
Manter as contas em dia tem sido uma tarefa cada vez mais difícil para os baianos. Segundo uma pesquisa inédita da Serasa, em parceria com o instituto Opinion Box, o custo médio de vida no Brasil chega a R$ 3.520 por mês. Na Bahia, o valor é um pouco menor, mas ainda elevado: R$ 3.210 mensais, considerando gastos com moradia, contas recorrentes, supermercado, transporte, saúde, educação, lazer e despesas pessoais.
O levantamento revela que despesas essenciais seguem pressionando o orçamento das famílias. Supermercado, contas recorrentes e moradia concentram, juntos, quase 60% dos gastos mensais dos brasileiros, realidade que se repete no estado. Na Bahia, o gasto médio mensal com supermercado é de R$ 830, enquanto as contas recorrentes, como água, luz, internet e streaming, somam R$ 470. Já a moradia, que inclui aluguel, condomínio ou financiamento, consome cerca de R$ 840 por mês.
Com esse peso fixo no orçamento, sobra pouco espaço para imprevistos ou ajustes. Não por acaso, apenas 19% dos entrevistados afirmam considerar fácil gerenciar pagamentos e despesas do dia a dia. Para a Serasa a especialista em educação financeira da Serasa, Larissa Chidiac, o cenário exige atenção redobrada ao planejamento financeiro. “Quando as despesas essenciais ocupam uma fatia tão grande do orçamento, sobra menos margem para lidar com emergências. Isso aumenta o risco de endividamento e torna o controle financeiro ainda mais necessário”, explica.
Outros gastos também ajudam a explicar o aperto no bolso dos baianos. As despesas com transporte e mobilidade chegam, em média, a R$ 280 por mês no estado. Já os gastos com saúde e atividade física somam cerca de R$ 520, valor próximo da média nacional. No lazer, os baianos gastam em torno de R$ 270 mensais, enquanto a educação representa um custo médio de R$ 580. Compras em geral, como roupas, cosméticos e despesas com pets, alcançam R$ 460 por mês.
Apesar das diferenças regionais apontadas pelo estudo, a pesquisa mostra que mudar de cidade não aparece como solução para a maioria das pessoas. Apenas 1 em cada 10 brasileiros considera se mudar em 2026 para tentar reduzir despesas. Para a Serasa, o principal desafio segue sendo a reorganização do orçamento familiar. “Os dados mostram que o custo médio de vida ainda supera o salário-mínimo projetado. Isso reforça a importância de planejar, anotar gastos e acompanhar o orçamento de perto para evitar dívidas”, afirma Larissa Chidiac.
A pesquisa ouviu 6.063 brasileiros entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e evidencia um retrato claro: na Bahia, viver custa caro e exige cada vez mais equilíbrio para fechar as contas no fim do mês.
Tribuna / Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia


