Entre os grandes setores, os serviços seguem como a principal base da economia estadual, com Valor Adicionado de R$ 87 bilhões
Por Rayllanna Lima
A economia baiana começou 2026 no campo positivo, mas em ritmo moderado. O Produto Interno Bruto (PIB) do estado cresceu 0,4% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo cálculos da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). O resultado foi sustentado principalmente pela agropecuária e pelos serviços, enquanto a indústria exerceu o principal peso negativo sobre o desempenho geral.
Divulgado na segunda-feira (8), o balanço da SEI mostra uma economia que ainda avança, mas com sinais de acomodação. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, já eliminadas as variações sazonais, houve queda de 0,1%. Em valor corrente, o PIB baiano totalizou R$ 142 bilhões entre janeiro e março deste ano. Desse montante, R$ 122,7 bilhões correspondem ao Valor Adicionado, que mede a riqueza gerada pelas atividades produtivas, e R$ 19,3 bilhões aos impostos arrecadados no período.
Entre os grandes setores, os serviços seguem como a principal base da economia estadual, com Valor Adicionado de R$ 87 bilhões. A indústria somou R$ 29,9 bilhões, enquanto a agropecuária respondeu por R$ 5,8 bilhões. Apesar de ter menor peso absoluto na composição do PIB, o campo registrou a maior taxa de crescimento no trimestre.
A agropecuária cresceu 5,8% no primeiro trimestre, impulsionada pelo desempenho positivo da agricultura e da pecuária. No caso da produção de grãos, a SEI atribui o resultado às chuvas abundantes e bem distribuídas, que favoreceram a colheita no estado. A expectativa é que a produção baiana de cereais, oleaginosas e leguminosas registre avanço significativo em 2026, na comparação com o ano passado.
“O setor que registrou a maior taxa de crescimento foi o agropecuário, proveniente das taxas positivas tanto da agricultura quanto da pecuária. O bom desempenho na produção dos grãos no estado, marcado por chuvas abundantes e bem distribuídas, impulsionou a colheita de grãos na Bahia. A estimativa é que a produção baiana de cereais, oleaginosas e leguminosas em 2026 registre avanço significativo quando comparado a 2025”, detalha a SEI.
O setor de serviços também contribuiu para manter o PIB baiano no azul. A alta foi de 2,7% no primeiro trimestre, com crescimento nas principais atividades acompanhadas pela SEI. O comércio avançou 3,8%, os transportes cresceram 3,4%, as atividades imobiliárias subiram 2,4% e a administração pública teve alta de 1,3%. O grupo de outros serviços também registrou expansão, com taxa de 3,3%.
Na prática, esse desempenho indica que parte da economia ligada ao consumo, à circulação de mercadorias, à prestação de serviços e à dinâmica urbana manteve fôlego no início do ano. O comportamento dos serviços é considerado estratégico porque o setor concentra a maior parcela da atividade econômica baiana e tem forte relação com emprego, renda e movimentação nos municípios.
O principal freio veio da indústria, que recuou 5,9% no primeiro trimestre. A retração foi puxada por três atividades: indústria de transformação, com queda de 7,9%; produção de eletricidade, água e esgoto, com recuo de 2,1%; e construção civil, que caiu 0,7%. A exceção
dentro do setor industrial foi a indústria extrativa mineral, que cresceu 7,3%, favorecida pelo aumento da extração de petróleo e gás natural. Ainda assim, o resultado positivo da atividade extrativa não foi suficiente para reverter o desempenho negativo do conjunto da indústria.
Tribuna da BahiaFoto/Romildo de Jesus


