IVONEIDE CAETANO única representante da bancada petista da Bahia na Câmara dos Deputados, defendeu ontem uma ampliação da participação feminina na politica
Por Henrique Brinco
A deputada federal Ivoneide Caetano (PT), única representante da bancada petista da Bahia na Câmara dos Deputados, defendeu ontem uma ampliação da participação feminina na política como forma de enfrentar uma desigualdade histórica e fortalecer a democracia brasileira. A parlamentar afirmou que o país precisa eleger mais mulheres para os Legislativos federal e estadual, além de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão.
Advogada, ex-candidata à Prefeitura de Camaçari em 2020 e eleita deputada federal em 2022, Ivoneide tem mobilizado militantes para estimular o debate sobre a ampliação das candidaturas femininas. Segundo ela, apesar de as mulheres representarem a maioria da população e do eleitorado brasileiro, ainda ocupam uma parcela reduzida dos cargos políticos.
A deputada citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais as mulheres correspondem a 51,5% da população, somando mais de 104 milhões de brasileiras, enquanto os homens são cerca de 98,5 milhões. Ela também destacou que, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elas são maioria entre os eleitores do país.
“Temos a tarefa de trabalhar ainda mais para eleger mais mulheres e aumentar nossas bancadas de deputadas federais e estaduais. Somos também a maioria das eleitoras e muitos dos temas debatidos dizem respeito às mulheres. Não podemos deixar que apenas os homens decidam por nós”, afirmou.
Ivoneide também chamou atenção para as barreiras enfrentadas pelas mulheres na política, como o preconceito cultural e a violência política de gênero. Para ela, a organização feminina é essencial para romper esse cenário e ampliar a representatividade, que atualmente corresponde a menos de um quinto das cadeiras do Congresso Nacional.
Na avaliação da parlamentar, a presença de mais mulheres nos espaços de poder contribui para fortalecer políticas públicas voltadas ao bem-estar social, à igualdade salarial, ao combate à violência contra a mulher, aos direitos humanos e à proteção das mães. “Elegemos mais mulheres e temos uma democracia mais forte e plural. As mulheres costumam defender pautas ligadas à igualdade, à inclusão e à justiça social”, declarou.
O posicionamento da deputada ocorre em um momento em que a participação feminina nas chapas presidenciais encolheu. A eleição de 2026 será a primeira deste século sem mulheres em chapas consideradas competitivas, segundo levantamento da Folha de S.Paulo. Desde 2002, ao menos uma mulher disputou a Presidência ou a Vice-Presidência em uma das principais candidaturas do país.
Até o momento, apenas a chapa formada por Samara Martins e Raquel Bricio, da Unidade Popular (UP), reúne duas mulheres, mas a legenda não possui representação no Congresso Nacional. A expectativa de que candidatas integrassem chapas de maior competitividade também foi frustrada após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente.
Para Ivoneide, ampliar a representatividade também significa inspirar novas gerações. “Precisamos encorajar meninas e mulheres a acreditarem que podem fazer parte da política. Mas isso exige oportunidades reais, formação e espaço dentro das estruturas partidárias para construir candidaturas competitivas”, concluiu.
Tribuna / Foto: Divulgação


