Levantamento da Febraban mostrou que os ataques ao setor mantiveram o ritmo de queda iniciado nos anos 2000. Bahia precisa melhorar segurança: por aqui, ocorrências aumentaram
Por Lily Menezes
As cenas de arrombamentos, explosões e outros incidentes envolvendo instituições do sistema financeiro foram vistas com menos frequência pela população no ano passado. A última edição do levantamento elaborado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) divulgada nesta terça-feira (05) mostrou que o setor bancário em 2021 teve uma queda de 36,2% nos assaltos e tentativas de roubo, em relação ao primeiro ano de pandemia. Foram 37 ocorrências, contra 58 registradas em 2020. A redução dos ataques aos caixas eletrônicos foi um pouco maior, com 38,7% de recuo na comparação do mesmo período, passando de 492 incidentes para 303.
A pesquisa leva em conta as estatísticas nacionais para o setor. No ano passado, a Bahia teve 47 ataques ao sistema financeiro, de acordo com números compilados pelo Sindicato dos Bancários da Bahia. As explosões de agência dominaram as estatísticas, com 27 ocorrências entre Salvador e outros municípios baianos, como Sapeaçu, São Gonçalo dos Campos, Ubaíra e Correntina, que ficou temporariamente ‘órfã’ de atendimento bancário já que as agências do Banco do Brasil, Bradesco e Caixa ficaram completamente destruídas, restando uma lotérica aos moradores do município a 914 km de Salvador. Em 2020, foram 17 ataques a bancos no Estado. O indicador preocupa, e muito, a categoria.
“O Sindicato dos Bancários da Bahia reforça a necessidade dos bancos e órgãos públicos adotarem medidas para conter os ataques e dar mais segurança à população e aos bancários”, diz a entidade, que neste ano já tomou conhecimento de sete ações contra agências bancárias. O último ataque foi na última sexta-feira (01), quando uma agência do Bradesco em Salvador, situada na Avenida ACM, foi arrombada por criminosos. O presidente da Febraban Isaac Sidney diz que não se poupam esforços para combater esse tipo de ação, que traz prejuízos às instituições e a todos os que precisam dos serviços bancários. De acordo com ele, há um aporte de R$ 9 bi anual para a segurança bancária.
“O setor bancário está fortemente empenhado em ações tecnológicas e novos produtos que reduzem a necessidade do uso de dinheiro em espécie e em grandes quantias, o que tem sido fundamental para desestimular as ações criminosas, das quais os bancos também são vítimas”, afirmou. Além da segurança bancária, que inclui sistemas de captura de imagens, câmeras de visão noturna, entintamento das notas em caso de arrombamento de caixas eletrônicos e sensores que indicam ações fora do comum nas unidades de atendimento, a Febraban diz haver investimentos em tecnologia para garantir a lisura das operações financeiras realizadas através dos canais digitais.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus


