Parte disso se deve ao El Niño, fenômeno que ajuda a elevar as temperaturas do planeta desde meados de 2023
Os extremos climáticos têm castigado o Brasil nos últimos dias. A transição de abril para maio começou com o alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para a onda de calor fora de época em diferentes regiões do País. Poucos dias depois, temporais causaram destruição em mais de 300 cidades do Rio Grande do Sul, na maior tragédia ambiental da história do Estado.
Parte disso se deve ao El Niño, fenômeno que ajuda a elevar as temperaturas do planeta desde meados de 2023. Mas especialistas destacam que a recorrência dessas anomalias climáticas – no Brasil e no mundo – tem relação direta com o aquecimento global.
Diante do risco de novas catástrofes, cientistas fazem o alerta. “Estamos vivendo num novo clima, cheio de ondas de calor e chuvas intensas, que trazem prejuízos socioeconômicos”, diz Paulo Artaxo, cientista que integra o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.
“A única maneira de lidar com isso é reduzir as emissões de gases do efeito estufa”, acrescenta ele, também professor da USP.
Entenda o que fez o Brasil sofrer com a gangorra do clima na mesma semana, os motivos pelos quais esses fenômenos estão interligados e por que eles devem piorar.
O alerta de calor do Inmet para o início do mês se estendeu para partes de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e para todo o Mato Grosso do Sul. Das 645 cidades paulistas, 372 estão nessa área.
A previsão de até 40ºC chama a atenção por ser no outono, quando as temperaturas são mais amenas. Inicialmente prevista para terminar em 1º de maio, a onda de calor vai se estender até o dia 10.
O tempo quente, segundo a Climatempo, ocorre porque o sistema de alta pressão sobre o Centro-Sul do Brasil barra a chegada de frentes frias no Centro-Oeste e no Sudeste. Isso contribui para o ar seco e a intensidade do calor.
Dados da agência climática americana (NOAA) e do Instituto de Pesquisa em Clima da Universidade de Columbia (EUA) indicam que o Brasil, no outono e no inverno, deve ter temperaturas de 2ºC a 4 ºC acima da média para esta época do ano.
“Não quer dizer que não teremos ondas de frio”, explica a climatologista Karina Lima. “Apenas que alguns modelos indicam que, na média do período, o resultado final ainda é anomalia positiva. Ou seja, temperaturas acima da média histórica.”
Especialistas alertam que a alta de temperatura ocorre na fase entre o fim do El Niño e o início de La Niña, fenômeno que tende a deixar os dias mais frios. Mas, com a piora do aquecimento global, esses padrões climáticos das estações têm se alterado.
O governador Eduardo Leite (PSDB) disse que o Estado precisará de um Plano Marshall de reconstrução, em referência ao apoio liderado pelos Estados Unidos para reerguer a Europa Ocidental após a Segunda Guerra Mundial.
Fonte: Agência Estado/Foto: Gilvan Rocha/Agência Brasil


