A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos façam exames regulares de PSA (antígeno prostático específico) e toque retal
Por Livia Veiga
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), apontam números alarmantes: a cada 38 minutos, um homem morre por conta do câncer de próstata no país. Apenas em 2023, foram estimados 71.730 novos casos no Brasil, correspondendo a 30% de todos os tumores diagnosticados na população masculina.
No mês dedicado à conscientização sobre a doença, ações são intensificadas com foco em alertar sobre a importância da prevenção. E na Bahia, o cenário também é preocupante: de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), este ano já foram 2.122 internações por causa da doença, 575 delas em Salvador; frente a 3.103 em todo o ano passado.
Quando se trata de óbitos, segundo levantamento do Sistema de Informação Hospitalar do SUS, foram registrados 1.144 casos este ano, decorrentes da doença, na Bahia. No ano passado, 1.588 pessoas morreram de câncer de próstata no estado e, de 2015 a 30 de outubro de 2024, já foram 13.550 óbitos.
Para Humberto Ferraz, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, secção Bahia, o preconceito acerca do exame físico, essencial para a detenção precoce da doença, ainda é um dos grandes desafios enfrentados no combate a esse tipo de câncer. “O impacto que pode acontecer é fazer um diagnóstico somente quando surgem sintomas, na qual o câncer já vai se mostrar numa fase avançada, ou seja, já não é mais restrito à próstata e o tratamento passa a não ser mais curativo”, alerta.
A entidade esclarece que, no estágio inicial, o câncer de próstata não manifesta sintomas e quando os sinais começam a surgir, aproximadamente 95% dos tumores já estão em um estágio avançado, o que torna o tratamento mais difícil. Na fase avançada, os sintomas incluem: dor nos ossos, dor ao urinar, necessidade frequente de urinar e presença de sangue na urina e/ou no sêmen.
A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos façam exames regulares de PSA (antígeno prostático específico) e toque retal. Homens negros ou com histórico familiar de câncer de próstata devem iniciar esses exames aos 45 anos.
“Quando o resultado de um desses exames apresenta alguma anormalidade, o médico solicitará exames adicionais. Esses testes têm o objetivo de confirmar ou descartar a suspeita clínica. Caso seja diagnosticado câncer de próstata, será necessário determinar o estágio da doença para definir o tratamento mais adequado”, explica o presidente da SBU-BA.
O especialista ainda ressalta que o câncer de próstata, quando detectado precocemente, pode proporcionar taxas muito altas de cura. “Talvez os maiores desafios sejam justamente detectar numa fase inicial, no qual o tumor está restrito à glândula e os tratamentos vão ser cirurgia ou radioterapia nesses estágios iniciais. Para tumores indolentes, de crescimento lento e de muito baixo risco de progressão, pode ser ofertado ao paciente a vigilância ativa, que é um acompanhamento já protocolado, com exames periódicos, para avaliar se o tumor está vendo crescimento e talvez no momento inicial não requerer nenhum tipo de tratamento”, explica Ferraz.
Dentre os avanços no tratamento do câncer de próstata, é possível destacar a cirurgia robótica. Como informa o médico, além da cura do tumor, o procedimento minimamente invasivo preserva a parte funcional, especialmente, em relação à potência, diminuindo as taxas de disfunção erétil e uma recuperação mais precoce da incontinência urinária, além de menores taxas de sangramento, de dor no pós-operatório, menos tempo utilizando a sonda vesical e um retorno mais rápido às atividades laborais e atividades físicas.
“Temos também muita evolução em relação à medicina de precisão, diagnosticando os subtipos de tumor, conhecendo melhor a genética de alguns tipos de tumores, fazendo tratamentos com melhores resultados. Novas drogas também têm surgido para controle do tumor. Em relação a parte diagnóstica e avaliação da extensão do tumor no corpo, podemos destacar também a presença do PET-CT com o PMSA, também disponível no nosso meio”, aponta.


