O alívio nos preços se deve a uma combinação de fatores
Por Hieros Vasconcelos
Quem nunca improvisou o almoço com um ovo frito ou deixou o café da manhã mais colorido com uma omelete caprichada? Pois esse mesmo ovo, tão simples e versátil, ganhou status de luxo no início de 2025 em Salvador, quando a bandeja de 30 unidades chegou a custar entre R$ 35 e R$ 40. Mas hoje o cenário mudou: o “coringa” da cozinha brasileira, que pesou no bolso e sumiu de algumas mesas, finalmente voltou a preços mais acessíveis. Após meses de altos e baixos, os consumidores já podem, temporariamente, respirar aliviados, com feiras e mercados da capital baiana registrando quedas nos valores do alimento.
Um giro por feiras e mercados revela como o bolso do consumidor respira aliviado. Na Feira da Sete Portas, os ovos jumbo vermelhos custam em média R$ 28 a placa com 30 unidades ou R$ 11,50 a dúzia. Os jumbo brancos saem por R$ 25 a placa ou R$ 10 a dúzia. Quem prefere o extra vermelho encontra 30 unidades por R$ 21 e 12 por R$ 9. Já os extra brancos aparecem como os mais em conta: R$ 20 a placa e R$ 8 a dúzia.
A vendedora Selma Andrade, dona do box Nossa Senhora das Graças, não esconde o sorriso ao falar das mudanças. “O ovo baixou cerca de três a quatro reais cada tipo. Isso tem aumentado as vendas e as pessoas notam”, conta, animada com o movimento.
Do outro lado do balcão, a consumidora Conceição Nunes, baiana radicada em São Paulo há 48 anos, aproveita para abastecer as sacolas antes de voltar à capital paulista. “Achei os preços dos alimentos bem mais baixos que em São Paulo. O problema é que o aluguel aqui em Salvador está muito caro, e isso pesa na hora de pensar em voltar. Mas comi bem em Salvador nesse último mes”, comenta.
Na Feira de São Joaquim, cenário parecido. A movimentação é intensa e os preços quase iguais aos da Sete Portas, com uma diferença mínima apenas nos ovos jumbo, alguns centavos mais baratos. Para o feirante Marcos Silva, veterano de duas décadas no comércio, qualquer detalhe faz diferença. “Não tem muita diferença de uma feira para outra, mas o cliente percebe qualquer centavo a menos. O bom é que voltou a vender bastante, coisa que tinha caído quando os ovos estavam a quase R$ 30”, afirma.
Comparando com fevereiro, quando os preços estavam inflados pelo custo do milho, da soja e pelos reflexos da gripe aviária em países exportadores, a queda em Salvador foi de R$ 3 a R$ 4 por bandeja, dependendo da categoria. Isso significa uma redução média de 12% a 15%, segundo análise dos valores atuais.
Os boletins do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) confirmam a tendência: a queda começou em abril, se intensificou em maio e se consolidou em junho, quando o preço do ovo atingiu o menor patamar do ano. Dados do IBGE reforçam: o produto recuou 3,98% em maio e 1,42% em junho, acumulando a maior queda do semestre.
Mudança – O alívio nos preços se deve a uma combinação de fatores. O fim da Quaresma reduziu a procura, já que o período religioso costuma aumentar o consumo de ovos em substituição à carne vermelha. Ao mesmo tempo, a previsão de uma safra abundante de milho e a maior disponibilidade de soja ajudam a baratear a ração das aves, reduzindo os custos de produção. Além disso, após o susto com a gripe aviária em países exportadores, o Brasil conseguiu manter a produção estável e até ampliar espaço no mercado internacional, garantindo maior equilíbrio no abastecimento. Para a Associação Baiana de Avicultura (ABA), o momento é de alívio para toda a cadeia produtiva.
O ovo na mesa dos brasileiros: alimento com alto valor nutricional
Apesar das variações de preço, o ovo continua sendo um velho conhecido do prato do brasileiro. Nutritivo, acessível e versátil, ele ganha ainda mais valor quando volta a caber no bolso.
Segundo a nutricionista Carla Almeida, a manutenção dos preços mais baixos é essencial para garantir uma dieta equilibrada. “O ovo é um alimento versátil, acessível e extremamente nutritivo. Ele fornece proteínas de alta qualidade, vitaminas do complexo B, minerais como ferro e zinco, além de colina, importante para a saúde cerebral. A presença do ovo na dieta ajuda a diversificar o cardápio e contribui para a segurança alimentar das famílias”, explica.
Com a previsão de estabilidade e até novas reduções até o fim do ano, o ovo promete seguir firme como aliado da mesa, do bolso e da saúde dos brasileiros, é o que espera a nutricionista. “Um alimento necessário”, destacou.
Tribuna/Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia


