É preciso entender por que 37 mil pessoas vão à Avenida Paulista defender Bolsonaro no momento em que seu líder coloca seus interesses pessoais acima do Brasil
Por Marcelo Godoy
Era tarde de domingo quando 37 mil pessoas foram à Avenida Paulista pedir que a Justiça esqueça os crimes cometidos pelos que invadiram a sede dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. Ou que conspiraram e colocaram em execução operações que tinham como objetivo matar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, além de cancelar as eleições e instaurar uma ditadura.
A palavra de ordem era “anistia”. Lá estava o vice-prefeito de São Paulo, o tenente-coronel Mello Araújo, pastores e alguns outros políticos. Mello Araújo defendeu o perdão aos criminosos. E disse que a voz do povo na Paulista era a “voz de Deus”. Fora apresentado como alguém que governa a “quatro mãos” a maior cidade do País. O prefeito Ricardo Nunes estava lá, mas ficou em silêncio. O governador Tarcísio de Freitas não apareceu.
Qual a lembrança que as 37 mil pessoas que estiveram ontem na Avenida Paulista terão de um ato convocado para a defesa de Jair Bolsonaro? Como o País se recordará desse episódio, da reunião de tantas pessoas vestindo a bandeira nacional no momento em que seu líder coloca interesses pessoais acima daqueles do Brasil? Qual memória se terá de quem apoia um tarifaço contra o País para submeter o Congresso e a Justiça? Não só.
Por que Bolsonaro e seus filhos continuam a publicar vídeos nas redes sociais do ex-presidente, sabendo da proibição da Justiça? Querem escalar a crise? Ou estender uma armadilha ao Supremo? Por que 37 mil pessoas consideram que Eduardo Bolsonaro age com honestidade de propósitos e, ao não encontrar solução dentro das instituições do Brasil, julgam legítimo o recurso a uma potência estrangeira contra o seu próprio País?
Mais ainda. Qual seria a próxima solução catastrófica a ser considerada após um ministro do STF exibir o dedo médio em um estádio de futebol? O recurso à violência política? O que frustração e ressentimento ainda podem produzir? Há muitas perguntas. E as respostas de uns e de outros se parecem. A radicalização política e a ameaça de Jair Bolsonaro ter a prisão decretada mostram que ninguém está disposto a ceder.
Fonte: Agência estado


