Segundo pesquisa, o aumento das mensalidades está em torno de 45%.
Por Rodrigo Ferreira
Um dos sonhos das pessoas, principalmente dos jovens é ingressar numa universidade e realizar o sonho de fazer uma graduação. Mas nada é fácil, principalmente que as vagas nas faculdades públicas são bastante concorridas e as instituições de ensino privadas tem mensalidades que custam caro. E recentemente houve mais um reajuste das mensalidades das universidades privadas. Segundo a Quero Educação, a maioria das instituições de ensino tinham um preço médio de mensalidade em R$ 530. Hoje essa realidade está no valor de R$ 722.
Segundo a pesquisa da Quero Educação esse aumento das mensalidades está em torno de 45%. Os estudantes, por conta da queda do poder de compra, costumam buscar em média, graduações com mensalidades no valor médio de R$ 495. Se antes 63% dos estudantes que buscavam vagas eram atendidos pelas instituições, agora essa porcentagem caiu para 32%.
Em Salvador, alguns estudantes precisaram interromper o curso, por conta do aumento das mensalidades. É o caso da estudante de jornalismo Emilly Góes, que por conta dos aumentos nos valores das mensalidades precisou interromper a faculdade no último semestre. “O aumento das mensalidades na faculdade foi extremamente ruim para mim. Me fez trancar um semestre para poder me organizar e assim tentar completar o curso”, pontua a estudante. Emily ainda conta que a faculdade que ela estuda não a ajudou na questão do facilitamento dos pagamentos de mensalidade. “Para mim, o estudante que já entra na faculdade com um desconto consequência de um vestibular ou Enem é um caso a ser cuidado e acompanhado. Quando procurei ajuda para resolver minhas mensalidades pendentes os contatos da instituição ficaram jogando um ao outro a responsabilidade de me auxiliar para pagar. Pretendo retornar no próximo semestre, mas se continuar com o valor alto por mês creio que trancar de vez vai ser uma opção infelizmente”, concluiu a estudante.
O presidente da União dos Estudantes da Bahia (UNB) Pedro Lucas conversou com 4 sobre o assunto e falou que tanto aqui, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) sempre está na luta para melhorias e que uma das pautas mais debatidas é as mensalidades. “Hoje a maioria dos estudantes do curso superior são estudantes trabalhadores. Por conta da rotina, de geralmente trabalharem pela manhã e estudarem a noite, as faculdades particulares dão essa possibilidade. Mas a dificuldade de se manter nesses espaços precisa ser debatida. Quando vemos as mensalidades aumentando a níveis exorbitantes, dificulta nossa permanência. E se fizermos o recorte para uma realidade atual, que acabamos de sair de uma pandemia que ceifou vidas, desempregou pessoas e que fez o país voltar ao mapa da fome, ver o aumento das mensalidades é um duro ataque ao sonho dos estudantes”, pontuou Pedro.
O presidente da UNB ainda ressalta que há também a luta pela qualidade do ensino, pois as mensalidades tem aumentado e a qualidade diminuído, segundo ele. “Nós lutamos não matarem os sonhos dos estudantes, mas também lutamos para melhorar o conteúdo educacional. As faculdades conseguiram uma portaria durante a pandemia que 40% das aulas dos cursos podem ser a distância (EAD). Só que com preço pago de valor do curso presencial. Isso é um atraso para os estudantes. Não que a UNE e a UNB sejam contra a modalidade, mas defendemos que o estudante que deve escolher como cursar. A luta dos movimentos estudantis é fundamental contra esses aumentos”, concluiu Pedro.
Procurado pela Tribuna da Bahia, o Sindicato de Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-BA) até o momento do fechamento da matéria não respondeu.
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