Representantes das Forças Armadas e da PF participaram, ontem, de solenidade realizada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para lacração do sistema eletrônico
Por Weslley Galzo
Após um ano de embates e questionamentos de militares sobre o processo de votação eletrônica, o Ministério da Defesa e a Polícia Federal (PF) validaram os sistemas que fazem funcionar as urnas que serão utilizadas nas eleições deste ano. Representantes das Forças Armadas e da PF participaram, ontem, de solenidade realizada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para lacração do sistema eletrônico.
A partir de agora, nenhuma alteração nos programas é permitida, a não ser que todas as entidades fiscalizadoras das eleições se reúnam para reabri-lo. O presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que o encontro na sede do TSE mostrou “a segurança, a transparência, a seriedade e a confiança da Justiça Eleitoral nas eleições de 2022″.
“O TSE jogou luz sobre esse procedimento. Uma etapa burocrática das eleições nunca teve audiência tão completa como essa. Isso legitima cada vez mais a Justiça Eleitoral. Isso demonstra que a Justiça Eleitoral atua de forma pública, transparente e que confia nos seus sistemas”, afirmou Moraes. “Não há nada secreto no sistema eleitoral, a única coisa secreta é o voto”, completou.
Além dos das Forças Armadas e da PF, participaram do evento representantes da Controladoria-Geral da União (CGU), do Ministério Público Eleitoral, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Carter Center e da União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore). O único partido a participar do procedimento foi o PTB, que na última quinta-feira, 1º, sofreu derrota no TSE ao ter o registro do seu candidato à Presidência, Roberto Jefferson, rejeitado.
As Forças Armadas escalaram o coronel Marcelo Nogueira de Souza para assinar digitalmente os sistemas das urnas. Nogueira, que é oficial da ativa, foi o responsável por uma apresentação transmitida em julho deste ano, durante audiência com integrantes no Senado com a presença de militares, na qual foi difundida a tese de que um “código malicioso oculto” — também chamado de malware — poderia ser inserido nas urnas para fraudar o sistema eletrônico de votação e escapar do teste de integridade realizado no dia da eleição. Na ocasião, o coronel Nogueira contou com o apoio do ministro da Defesa para fazer a sugestão de que o TSE alterasse o teste de integridade dos equipamentos.
Além dos militares, o TSE enfrenta um outro flanco de conflito com a PF. As duas instituições se apresentaram para fazer a inspeção dos códigos-fonte das urnas na véspera do término do prazo. Seus representantes deveriam ter entregado relatórios com as considerações sobre a segurança dos sistemas de votação, antes da cerimônia de lacração. Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, as sugestões serão analisadas, mas não podem ser usadas como argumento para a reabertura dos programas das urnas. A única forma de reabri-los é caso seja constatado um grave problema.
Fonte: Agência Estado/Foto: Abdias Pinheiro/SECOM/TSE


