Na última década, o HGE registrou uma média anual de 218 casos de vítimas de queimaduras por fogos no período junino
Por Vinicius Viana
Com o início dos festejos juninos no dia 1º de junho, que trazem as homenagens a Santo Antônio, muitas pessoas começam a soltar fogos de artifício em Salvador e nas cidades do interior da Bahia. No entanto, essa brincadeira pode trazer consequências graves, como queimaduras e até mesmo levar à morte, transformando a festa em pesadelo.
De acordo com a Secretaria de Saúde do estado da Bahia (Sesab), nos últimos três anos, 215 pessoas foram internadas por queimaduras causadas por fogos de artifício. No ano de 2020, ocorreram 90 casos, seguidos por 57 em 2021 e 68 casos em 2022. Já em 2023, até o final de maio, foram registrados apenas 12 casos. Ainda de acordo com a pasta, nos últimos 10 anos, o mês de junho já chegou a concentrar 68,38% de todos os atendimentos por explosão com bomba no Hospital Geral do Estado (HGE), referência nos cuidados com ferimentos provocados por explosões e queimaduras.
“Nós temos consciência desse aumento na demanda e, por isso, reforçamos nossas equipes para o atendimento aos baianos no mês de junho para casos de explosão e queimaduras. Sabemos da questão cultural do nosso povo, mas não podemos deixar de alertar sobre os perigos no manuseio de fogos de artifício e dos danos que os acidentes causam”, analisa a secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana.
Além do HGE, o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus (HRSAJ), outra unidade estadual de referência nos atendimentos relacionados a fogos de artifício, registrou, na última década, uma média anual de 218 casos de pacientes vítimas de queimaduras por fogos no período junino.
Em entrevista à Tribuna da Bahia, o Coronel BM Lanusse Andrade, Comandante do Comando de Atividades Técnicas e Pesquisas (CATP), do Corpo de Bombeiros, falou sobre os principais cuidados que a população deve ter ao soltar fogos. “O mais importante é antes mesmo de soltar os fogos, mas ao adquirir os artefatos. É importante que vejam a classificação adequada para cada idade e leiam as instruções com atenção. Ao soltar os fogos, também é fundamental que a pessoa esteja num local adequado, como áreas abertas, sem residências próximas ou fiações elétricas”, declarou.
Em seguida, Lanusse Andrade falou sobre a campanha de conscientização realizada pelo Corpo de Bombeiros na época junina. “Realizamos campanhas todos os anos sobre os cuidados com os fogos. Sabemos que é uma cultura, principalmente no nordeste, soltar fogos, por isso realizamos ações educativas junto às comunidades e vendedores. Também fazemos vistorias nas lojas que revendem esses artefatos”, completou.
Tribuna/Foto: Reprodução


