O presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Carlos Muniz (PTB), determinou que a Comissão de Reparação, acompanhe o caso
Por Henrique Brinco
O vereador Sandro Fantinel, de Caxias do Sul, na Serra do RS, que fez um discurso questionando a repercussão do resgate de empregados em situação de escravidão e ofendendo trabalhadores baianos, foi expulso do Patriota. De acordo com o partido, o pronunciamento do edil foi “desrespeitoso e inaceitável” e “está maculado por grave desrespeito a princípios e direitos constitucionalmente assegurados, à dignidade humana, à igualdade, ao decoro, à ordem, ao trabalho”. O caso teve repercussão nacional.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) utilizou as suas redes sociais para avaliar o vereador como ‘nojento’ após defender o trabalho escravo e proferir falas xenofóbicas contra trabalhadores baianos submetidos a esta condição. “O discurso xenófobo e nojento de vereador de Caxias contra o nordeste não representa o povo do Rio Grande do Sul. Não admitiremos esse ódio, intolerância e desrespeito na política e na sociedade. Os gaúchos estão de braços abertos para todos, sempre”, publicou Eduardo Leite.
Ainda de acordo com o governador, o governo local vai buscar autoridades do Estado da Bahia para visitar o Rio Grande do Sul, acompanhar as atitudes empreendidas contra o trabalho escravo e aliar as duas unidades federativas em ações conjuntas para banir o preconceito.
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou que as falas do vereador retratam a xenofobia e o racismo em sua pura essência. O prefeito ainda disse que as declarações, que repercutiram e geraram repúdio no país, são bizarras. “As falas do vereador do Rio Grande do Sul sobre os trabalhadores em situação de escravidão nas vinícolas são bizarras! Elas retratam a xenofobia e o racismo em sua pura essência. O que vinha acontecendo é inadmissível e precisa ser punido para jamais acontecer novamente”, escreveu o prefeito em sua conta no Twitter.
Bruno Reis ainda defendeu que o caso seja devidamente apurado. “Que as medidas cabíveis sejam tomadas para ninguém tratar apologia ao trabalho escravo como algo normal. Precisamos dar um basta nisso!”, salientou.
O presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Carlos Muniz (PTB), determinou que a Comissão de Reparação, presidida pelo vereador Luiz Carlos Suíca (PT), acompanhe o caso e auxilie na tomada de medidas para que o vereador gaúcho responda e seja punido pelo crime. “Repudiamos qualquer apologia à escravidão. Não podemos permitir que tratem os baianos com tanto preconceito ou rancor. É vergonhoso e inadmissível ver brasileiros defendendo a crueldade”, destacou Carlos Muniz.
Tribuna/Foto: Valdemiro Lopes


