A Justiça Federal no Distrito Federal condenou Marluce Quadros Vieira Lima, mãe do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima, a dez anos de reclusão, pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. A condenação é referente ao caso dos R$ 51 milhões encontrados em malas em um apartamento em Salvador.
A decisão, do juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, foi publicada no fim do mês passado e divulgada nesta quarta-feira (3). A defesa de Marluce Vieira Lima recorreu da sentença, que é de primeira instância. Até a última atualização desta reportagem, o G1 tentava contato com os advogados dela.
A sentença prevê o cumprimento da pena em regime inicialmente fechado. No entanto, por conta da idade e da “saúde precária” da ré, o juiz permitiu que, no momento de início da execução da pena, seja definida a possibilidade de prisão domiciliar “ou outro meio mais adequado”.
Investigação
Em 2017, durante a operação Tesouro Perdido, a Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões de reais em malas, em um apartamento associado a Geddel Vieira Lima, na capital baiana. À época, o ex-ministro dos governos Lula e Temer já estava preso, por obstrução das investigações da Operação Cui Bono, que apurava fraudes na liberação de crédito da Caixa Econômica Federal.
Segundo as investigações, havia indícios de que a família usava empresas para lavar dinheiro ilícito obtido por meio de desvio de recursos públicos. No ano seguinte, o Ministério Público Federal (MPF), apresentou denúncia contra Geddel Vieira Lima, Lúcio Vieira Lima, e a mãe deles.
Segundo o órgão, entre 2010 e 2017, Marluce e os dois filhos “associaram-se para a prática de lavagem de dinheiro proveniente de vantagens indevidas obtidas a partir da consumação de corrupção passiva e peculato, ou seja, realizando atos aptos a ocultar ou dissimular natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de valores oriundos dos referidos crimes antecedentes”.
As acusações contra Geddel e Lúcio foram julgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) porque, à época, Lúcio ainda tinha mandato como deputado federal. Em outubro de 2019, a Corte condenou Geddel a 14 anos de prisão e o irmão, a dez anos de reclusão, por conta do caso.
G1


