Segundo dados do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), baseados no Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel), aproximadamente 9% da população baiana vive com diabetes
Por Hieros vasconcelos
A Bahia convive com um dos principais desafios da saúde pública no país: cerca de 1,2 milhão de baianos vivem com diabetes, o equivalente a aproximadamente 9% da população do estado. O cenário acompanha uma realidade nacional igualmente preocupante. De acordo com o Ministério da Saúde e a Federação Internacional de Diabetes (IDF), cerca de 16 milhões de brasileiros convivem com a doença, colocando o Brasil entre os países com maior número de casos no mundo.
No Dia Nacional do Diabetes, celebrado ontem, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para evitar complicações e garantir qualidade de vida aos pacientes.
Segundo dados do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), baseados no Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel), aproximadamente 9% da população baiana vive com diabetes. O dado preocupa ainda mais diante da estimativa de que cerca de 40% dessas pessoas desconhecem o diagnóstico, permanecendo sem tratamento e mais vulneráveis às complicações da doença. Em Salvador, a prevalência também é de aproximadamente 9% da população adulta, sendo maior entre as mulheres.
Segundo a endocrinologista Odelisa Matos, coordenadora de Planejamento e Ações Estratégicas do Cedeba e diretora da Sociedade Brasileira de Diabetes – Regional Bahia, é preocupante a quantidade de pessoas que convivem com a doença sem saber. “Cerca de 40% dos baianos convivem com o diabetes sem saber”, afirmou.
A especialista explica que o diabetes tipo 2 costuma evoluir de forma silenciosa, fazendo com que muitos pacientes só descubram a doença quando já apresentam alguma complicação.
Isso porque o aumento gradual da glicemia pode mascarar os sintomas por anos. Por isso, pessoas com histórico familiar, excesso de peso, hipertensão arterial, colesterol elevado ou sedentarismo devem realizar exames periódicos para rastreamento da doença.
Já o Ministério da Saúde afirma que o diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue. Sem controle adequado, pode provocar complicações graves, como doenças cardiovasculares, insuficiência renal, perda da visão, amputações e lesões nos nervos. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente exames para diagnóstico, acompanhamento multiprofissional, medicamentos e diferentes tipos de insulina.
O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, o endocrinologista João Eduardo Salles, destacou que o diagnóstico precoce pode mudar significativamente a evolução da doença. “O diagnóstico precoce é capaz de mudar o desfecho da doença para os pacientes ou mesmo impedir que um paciente diagnosticado com pré-diabetes desenvolva o diabetes”. Em entrevista a imprensa, ele acrescentou que mudanças no estilo de vida são essenciais para prevenir o diabetes tipo 2, especialmente entre pessoas com sobrepeso e obesidade.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 90% dos casos registrados no país são de diabetes tipo 2, associado principalmente ao excesso de peso, alimentação inadequada, sedentarismo e envelhecimento. Já o diabetes tipo 1, de origem autoimune, costuma surgir na infância ou adolescência e exige tratamento contínuo com insulina.
Além dos cerca de 16 milhões de brasileiros que já vivem com a doença, estimativas da Federação Internacional de Diabetes apontam que milhões de pessoas ainda não receberam diagnóstico. De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas mais comuns incluem sede excessiva, aumento da frequência urinária, perda de peso sem causa aparente, fadiga, visão embaçada e dificuldade na cicatrização. Entretanto, principalmente no diabetes tipo 2, a doença pode permanecer assintomática por vários anos.
Especialistas e o Ministério da Saúde reforçam que alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso corporal, abandono do tabagismo e acompanhamento médico periódico continuam sendo as principais estratégias para prevenir a doença e reduzir o risco de complicações. O alerta é que, embora silencioso em muitos casos, o diabetes pode causar consequências irreversíveis quando não é identificado e tratado precocemente.
Tribuna / Foto: Divulgação/Ascom


