Além disso, o IBGE destaca uma mudança no perfil etário das mães. “As mulheres baianas estão se tornando mães mais tarde, o que leva a um envelhecimento da maternidade”, aponta o instituto
Por Hieros Vasconcelos
Neste domingo (10), quando se celebra o Dia das Mães, dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE ontem, revelam um retrato amplo e em transformação da maternidade na Bahia. Segundo o levantamento, 7 em cada 10 mulheres baianas com 12 anos ou mais já são mães ou já tiveram filhos, o que representa cerca de 4,083 milhões de mulheres, equivalente a 65,8% da população feminina nessa faixa etária, percentual ligeiramente acima da média nacional.
Mas os números vão além da dimensão quantitativa e mostram mudanças profundas no comportamento social. “Os dados do Censo Demográfico 2022 mostram como a maternidade mais tardia e o menor número de filhos vêm reduzindo significativamente a fecundidade na Bahia”, afirma o IBGE.
A distribuição da maternidade no estado revela contrastes regionais importantes. Municípios como Capela do Alto Alegre (75,8%), Jaborandi (75,5%) e Central (75,0%) concentram as maiores proporções de mães, com cerca de três em cada quatro mulheres já tendo filhos. Já em cidades como Andaraí (53,8%), Ipecaetá (55,4%) e Abaíra (55,8%), os índices são mais baixos. Em Salvador, a proporção também chama atenção: são 691.643 mães, o equivalente a 59,8% das mulheres com 12 anos ou mais.
Além disso, o IBGE destaca uma mudança no perfil etário das mães. “As mulheres baianas estão se tornando mães mais tarde, o que leva a um envelhecimento da maternidade”, aponta o instituto. Entre 2010 e 2022, o número de mães com até 34 anos caiu 24,8%, enquanto o grupo com 35 anos ou mais cresceu 28%, passando a representar quase 8 em cada 10 mães no estado.
Outro aspecto relevante é a redução no número de filhos. “A quantidade de filhos tidos pelas mulheres diminuiu significativamente”, informa o IBGE. Em termos absolutos, a Bahia registrou uma queda de 6,9% no total de filhos entre 2010 e 2022, o que impacta diretamente a taxa de fecundidade, hoje em 1,55 filho por mulher , abaixo do nível necessário para reposição da população.
Esse cenário se reflete também em Salvador, onde a taxa de fecundidade é ainda menor, de 1,14 filho por mulher, uma das mais baixas entre as capitais brasileiras. O levantamento evidencia ainda que o nível de escolaridade influencia diretamente esse comportamento: quanto maior a escolaridade, menor o número médio de filhos.
Na avaliação do especialista em demografia Ricardo Almeida, os dados confirmam uma tendência já observada em outras regiões do país. Segundo ele, o adiamento da maternidade está relacionado ao aumento da escolaridade, à inserção das mulheres no mercado de trabalho e às dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias. Para o pesquisador, a redução da fecundidade não é apenas um indicador demográfico, mas um reflexo das transformações sociais e das desigualdades ainda presentes.
O próprio IBGE resume esse cenário ao apontar que a queda da fecundidade ocorre de forma “bem espalhada por todo o estado”, indicando uma mudança consistente no comportamento das mulheres baianas.
Tribuna / Foto: Romildo de Jesus / Tribuna da Bahia


