Os benefícios potenciais são grandes: uma vantagem competitiva em relação à China, a possibilidade de uma corrida por recursos lunares e um raro momento de unidade nacional
A primeira viagem ao espaço profundo – muito além da órbita da Terra – desde 1972 ocorre em um momento crucial da Presidência do americano Donald Trump.
Os Estados Unidos estão profundamente divididos em temas que vão dos ataques americanos em curso no Irã à imigração e economia.
Assim, uma bem-sucedida missão Artemis, que enviará quatro astronautas à Lua nesta quarta-feira (1º/4), pode dar impulso ao governo Trump.
Os benefícios potenciais são grandes: uma vantagem competitiva em relação à China, a possibilidade de uma corrida por recursos lunares e um raro momento de unidade nacional.
Oficialmente, a missão — que levará a tripulação mais longe no espaço do que qualquer pessoa já foi — é um passo intermediário, segundo a Nasa (agência espacial americana), rumo a uma base lunar permanente e, eventualmente, ao planeta Marte.
Embora o interesse dos EUA em retornar à Lua seja anterior à sua entrada na política, Trump criou diretamente o que viria a ser o programa Artemis em seu primeiro mandato (2017-2021), ao prometer “lançar astronautas americanos para fincar estrelas e listras (em referência a bandeira americana) no planeta Marte”.
Ele também viu oportunidades militares e criou um novo braço do Pentágono, a Força Espacial.
Em seu segundo mandato, no entanto, o objetivo de Trump mudou para a Lua. Em dezembro do ano passado, ele assinou uma ordem executiva que prevê o retorno dos EUA à Lua até 2028 e o estabelecimento de uma base permanente no local até 2030.
A ordem executiva não mencionou a concorrência lunar com a China, um fator que o administrador da Nasa, Jared Isaacman, destacou publicamente.
“Nos encontramos diante de um verdadeiro rival geopolítico, que desafia a liderança americana na disputa pela supremacia espacial”, disse Isaacman em um evento da Nasa em 24 de março.
“Desta vez, o objetivo não são bandeiras e pegadas”, acrescentou. “Desta vez, o objetivo é permanecer. Os EUA nunca mais abrirão mão da Lua.”
Batalha por influência ideológica na Terra
Durante a corrida espacial na Guerra Fria (1947-1991) com os soviéticos, o objetivo de chegar à Lua era quase inteiramente geopolítico.
Com os EUA e a Rússia envolvidos em uma disputa por influência ideológica na Terra, o espaço se tornou mais uma arena para demonstrar superioridade tecnológica, algo que, para os EUA, se tornou cada vez mais urgente após o lançamento soviético do Sputnik, em 1957 — o primeiro satélite do mundo — causar impacto no país.
O então presidente dos EUA, John F. Kennedy, tornou a missão explicitamente política, tanto em público quanto em privado.
Fonte: BBC News


